
Ah! É verdade, nada que não se estivesse já à espera...
Nunca se é tão feliz nem tão infeliz como se imagina
Já muito houvera sido dito pelos meus conhecidos e estimados da secção de "Folhas Amistosas". Agora o caso penetra na estratosférica vida das "Folhas Soltas" através da indicação dada no Jugular. Este blog de orientação política tão conhecida como o seu próprio nome vem aqui dizer o que entende, citando.
Posto que já quase tudo foi dito por todas as bandas, com opiniões mais ou menos radicais e exacerbadas, mas todas elas próprias, sinto-me incapaz de dizer algo de novo.
Pessoalmente isto não me choca muito. Apenas a comparação disfarçada entre bloggers e criminosos me melindra. Acho que o Presidente da Câmara não percebeu bem o púlpito onde estava e discursou sobre violência, o que é uma interpretação muito pessoal, particularmente quando nos debruçamos na violência não-física. Acima de tudo, confundiu gravemente as suas opiniões (retrógradas julgo eu), com o propósito da visita. Fê-lo com exagero e brusquidão, absorto no espírito da Decádence como eu tantas vezes gosto de observar. Não lhe ficou bem.
Ainda referente à minha exposição face às relações Media-Política, ou por outra, e para que não haja confusões, face ao impacto cruzado entre Media-Política, segue este texto. O que é necessário, antes de qualquer outra coisa é perceber o papel dos Media, mais até do que dos políticos pois esse, bem que está referenciado quer no acto quer na literatura como são os reverendos casos de Péricles, Cícero, Aristóteles, John Locke e outros mais.
Os Media são um aspecto fulcral da vida política democrática. Por isso estão constitucionalizados em todas as Democracias soberanas, por isso os seus direitos são brutalmente violados nas sociedades fascistas, totalitárias, desiguais e persecutórias.
Os Media têm uma ambivalência bem funesta no caso português. De um lado as benefícios incalculáveis da liberdade de imprensa, e do outro os prejuízos de uma liberdade usada com malícia. Esta ambivalência prende-se com o facto de sob ameaça à liberdade de imprensa, todas as atrocidades são permitidas e tidas como exemplo político. O problema político da imprensa é que o senso político português imprime libertinagem à imprensa, em busca de uma liberdade que mais não é que um arquétipo platónico. O que de mais tenebroso saiu da revolução de 74 foi a ideia de que o respeito é sinónimo de fascismo e prepotência. Ora, sendo a Democracia o sistema político do mais elevado respeito, aquela forma de respeito em que conscienciosamente respeitamos o próximo e a maioria, facilmente se prevê o impacto desta amputação de que a nossa Democracia padece. Este problema que é relevante em todas as áreas da política, ganha notoriedade nos Media.
Verifico, com os múltiplos casos que envolvem aspectos legais das figuras públicas, que os Media extrapolam a sua liberdade e avançam doentiamente para o campo legal. O julgamento na praça pública, bem como todo o seu patrocínio jornalístico e legal (leia-se especulação e quebra do segredo de justiça) devem ser veementemente condenados. A Democracia só sai a ganhar com o bom jornalismo, não com o jornalismo sanguinário, até porque as sangrias sempre foram o último recurso para o pobre esqueleto amortalhado.
Por fim, a actividade política nada tem feito para inverter a tendência perversa da má comunicação, do jornalismo a duas cores (rosa e negro), do jornalismo irresponsável e sem ética que medra na libertinagem supra referida. Sempre que penso em Sócrates e no caso Freeport, e penso poucas vezes, tudo me parece cólera. Cólera de quem julga e de quem inadvertidamente defende Sócrates em sedes pouco próprias.
No fundo, todos vítimas da cólera, não pensaram que nem Sócrates nem ninguém, culpado ou inocente, merece o tratamento jornalístico dado a este caso. No fundo, todos vítimas da cólera, não pensaram que com uma boa classe política, este jornalismo não existia em Portugal. No fundo, todos vítimas da cólera, vivemos num sistema político democrático e avançado, e num plano jornalístico sensório e antiquado. É este o anacronismo político português.
Citações de A Metamorfose de Franz Kafka
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