Coisas que eu assino

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Da Justiça e da Economia.

O bem que veio por mal

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Nunca saberemos o que quer dizer "o estilo da Prisa", especialmente o estilo comunicacional, mas desde logo sabemos que o estilo da Prisa, o empresarial, é o do alinhamento político-económico. Pelo menos foi assim que nos foi vendido o peixe, que eu, nos seis meses que vivi em Madrid, nunca ouvi falar nem bem nem mal da Prisa, não é assunto... Por cá, é assunto que eventualmente, o nosso PM tenha efectuado pressões que agora são desmentidas... por uma parte interessada nesse desmentido. A confirmar-se a interferência de "amigos", mais do que a legítima tomada de opinião sobre a qualidade e impacto do Jornal de Sexta na Prisa, estamos perante um caso em que se encerrou um mau telejornal por interferência e interesse político de algum prócere do regime. Isso é gravoso, mesmo que tenha sido em favor do jornalismo e da deontologia, pois os efeitos deletérios da continuidade de MMG são, também eles iniludíveis.

O que é facto é que o encerramento do Jornal de Sexta foi um bem, resta saber se não foi um bem que veio por (algum escamoteado) mal.

Os cus de Judas

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"Sempre que se examina exageradamente as pessoas elas começam a adquirir, insensivelmente, não um aspecto familiar mas um perfil póstumo, que a nossa fantasia do desaparecimento delas significa."

"...Lisboa, entende, é uma quermesse de província, um circo abundante montado junto ao rio (...) Lisboa começa a tomar forma, acredite, na distância, a ganhar profundidade e vida e vbração, Luanda enevoada subiu ao meu encontro..."

"O que fizeram do meu povo, O que fizeram de nós aqui sentados à espera nesta paisagem sem mar, presos por três fileiras de arame farpado numa terra que nos não pertence, a morrer de paludismo e de balas cujo percurso silvado se aparenta a um nervo de nylon que vibra, alimentados por colunas aleatórias cuja chegada depende de constantes acidentes de percurso, de emboscadas e de minas, lutando contra um enimigo invisível, contra os dias que se não sucedem e indefinidamente se alongam, contra a saudade, a indignação e o remorso..."

"Talvez que a guerra tenha ajudado a fazer de mim o que sou hoje e intimamente recuso: um solteirão melancólico a quem não se telefona, e cujo telefonema ninguém espera..."

"Queria desesperadamente ser outro, sabe, alguém que se pudesse amar sem vergonha, de que os meus irmãos se orgulhassem, de que eu próprio me orgulhasse..."

Frases de "Os cus de Judas" de António Lobo Antunes

A obra que celebrizou António Lobo Antunes é, ao que consta, uma autobiografia, dos tempos do jovem médico em Angola. Com um ritmo de mestria e estrutura peculiar, o escritor conta-nos a sua história e desventura, à medida que se relaciona com uma mulher num bar, e posteriormente em sua casa. A história de Angola que nos é contada acaba, já de manhã, se me é permitido dizê-lo assim, quando a senhora se afasta do nosso personagem. O livro é violento na crítica que faz à Guerra Colonial; um documentário de factos frios, tal como se impõem, mas de sentimentos tépidos. Aliás, todo o livro é tépido, contado por alguém que se mostra vencido, onde a vida é uma derrota previsível. Esta amargura abraça toda a história e ajuda a relacionar o monólogo onde a personagem intercala frases dirigidas à sua interlocutora, com flash-backs da guerra em África.

A Queda

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"Quando não se tem carácter, é preciso recorrer a um método"

"É preciso, pois, escolher um senhor, visto que Deus já não está na moda."

"Não espere pelo Juízo Final. Realiza-se todos os dias."

"Cada homem atesta o crime de todos os outros, eis a minha fé e a minha esperança."

"Nenhum homem é hipócrita nos seus prazeres."

Frases de "A Queda" de Albert Camus

Eis como se pontifica um Nobel! Esta novela, tida por muitos como o melhor da obra de Camus, é um tratado. Descreve num longo monólogo as grandes infâmias do homem, a sua queda interior com uma dimensão e profundidade atrozes. Para se ter uma melhor ideia, este livro de cento e poucas páginas, demora o dobro a ler-se que um romance de trezentas. Eu por exemplo, li este livro duas vezes, seguidas, e não só me achei impelido a relê-lo como também a pensá-lo. Apetece ter dois exemplares, um para guardar e outra para anotar. Uma obra de certo modo ensaística, absolutamente obrigatória para quem quer entender os manes amorosos, a servidão, a vaidade ou a justiça, entre outros desígnios.

Ensaio sobre a Lucidez

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O "Ensaio sobre a Lucidez" consiste no ensaio da hipótese de que a população, sem motivo ou razão prévia, vota esmagadoramente em branco, para as eleições municipais da capital. Esta hipótese, que me parece óptima do ponto de vista ensaístico, acaba por ser tenuemente desenvolvida. Daquilo que o livro fala é de todos os estratagemas e maquinações que os governos fazem, ou podem fazer, para dominar, imperando uma letárgica democracia, que mais não é que um regime oligárquico onde ciclicamente, mais do que o direito, as pessoas exercem o dever de votar para legitimar tudo tal como está. A critica está portanto direccionada para todos os partidos, em especial o do governo, e com suficientes alusões à possibilidade da história se passar em Lisboa, até porque a certa altura se diz que a capital tem colinas. Uma coisa é certa, esta história passa-se no país onde todos ficaram cegos em “Ensaio sobre a Cegueira”, de modo que é conveniente a leitura da “Cegueira”, antes da “Lucidez”. Numa, eu diria, segunda metade do livro, trata-se da questão de como o instinto benévolo e justo do indivíduo pode chocar com os desígnios nacionais, ironicamente caricaturados pelo autor. Bom livro, mas na minha opinião inferior ao outro ensaio, até porque explora muito menos a hipótese ensaiada. O estilo e a rez do vocabulário predominantemente usado, mantêm-se inalterados.


Nota: Perguntam Vós, porque é que ele mete isto numa letra tão pequena. Perguntam bem... Teimosias do Blogger...

Maçã podre

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Isto é indecoroso! Não há qualquer motivo para fazer isto. Na verdade, a Apple é muito boa numa coisa, no marketing. Agora os branquinhos são também saudaveizinhos, e como qualquer seita queque, juntam-se em grupos e riem dos outros apontando. Vendem caro, assentes na imagem branquinha da tecnologia made in China, abrilhantada pela maçã mordida e pelo comand ao invés de control. Ao início respeitava-os, tinham sido vítimas do conluio da Microsoft e tinham material melhor. Agora, até a isto se agarram para poupar custos de manutenção. O melhor era só venderem Mac a não fumadores, mas isso eles não fazem, pois... Esta perseguição sem sentido, feita por uma empresa tecnológica, é a censura e a cárcere do século XXI. De máquina de escrever ou de Mac, a estupidez é eterna.

Quer um Mac fumadores ou não fumadores?

Privatizar o BPN

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Poderá, e certamente que há, muitas razões políticas para privatizar o BPN. Somos um país de capitalismo transparente, devemos inculcar confiança no mercado, deixar à justiça o que é da justiça, e outras que não descortino. Mas em termos financeiros, privatizar o BPN agora, num momento onde os mercados ainda estão deprimidos e pagarão menos pelo banco do que daqui a um, dois ou três anos, só tem duas explicações. Ou os custos da nacionalização tornaram-se incomportáveis, ou então a necessidade de alienar é tal que se vai vender com 1,8 milhões de euros de prejuízo. A CGD, que por vezes é um braço armado endinheirado, terá de tapar esta evidência.