Na Política; servir(-se)

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Como já houvera sido dito no Esplanada Cidadania de comentário aos candidatos às Europeias, há inconstâncias graves na lista do PS. Continuo a entender que há um desrespeito pelo compromisso quando se está em simultâneo em duas listas de candidatura. Estas atitudes só ajudam a descredibilizar os poucos que ainda estão na política com sentido de missão, de Estado e de um altruísmo superior, próprio dos políticos honrados e imemoriais.

Mas este texto não é para reafirmar uma posição. É sim para mostrar perplexidade pelas afirmações despudoradas que circulam, e que agravariam caso não fosse de si grave, a situação supra referida.

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"... jurou cortar o nariz e as orelhas a Caifás e a Pilatos, se um dia encontrasse semelhantes patifes."

"Nesse livro não se dizia que apóstolo algum se tivesse confessado, o que o tornava contumaz."

"O jesuíta, pessoa muito sábia, dissera-lhe que era um santo que fizera doze milagres; mas que o décimo terceiro valia bem os doze outros, embora não fosse próprio de um jesuíta falar nele: numa só noite fizera mulheres cinquenta donzelas."

"É bem mais fácil batermo-nos contra os Ingleses na Baixa-Bretanha do que encontrarmos em Versalhes as pessoas com quem queremos falar."

"...toda a secreção faz bem ao corpo e tudo o que alivia o corpo alivia a alma; nós somos as máquinas da Providência."

"...sempre observei que todos os grandes pesares eram filhos de uma cupidez imoderada."


Citações de O Ingénuo de Voltaire

Um dos poucos romances de Voltaire, ainda que de carácter vincadamente filosófico como a generalidade da sua obra. Sátira cómica que suporta o tom inconveniente que pautou Voltaire, talvez mais do que qualquer outro iluminista francês. Deslinda com precisão histórica a perseguição dos Jesuítas aos Huguenotes e Jansenistas, bem como os costumes jocosos da corte de Versalhes no reinado de Luís XIV e que se estenderão até Luís XVI. Enreda um romance entre um homem Hurão (índio do Canadá) e a linda Saint-Yves, francesa casta e de incorruptível moral. Deste romance Voltaire aproveita a personagem do Hurão, o Ingénuo, para examinar filosóficamente a natureza do raciocínio e o constrangimento social. Com um fim extraordinário e imprevisível, suporta a tese de que, por muitos acontecimentos que sucedam, o tempo tudo arrasta tornando os actos bons e maus apenas interinos. Imperdível para quem aprecia a avaliação filosófica da corrupção humana.

Sondagens desorientadas

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Nas última sondagens divulgadas o PS desce 0,8% para os 38,8% enquanto que o PSD sobe para os 30,5% à custa de uma subida de 0,9%. O PCP tem 9%, o BE quase 10%. O CDS quase 7%. Ou seja, 27% dispersos que vão acabar por ser os "papados do Bloco Central". Outro partido importante são os B&N que já vão quase nos 5%. Saber que 5% dos votantes se deslocam de propósito só para votar branco ou para escarnecer no boletim de voto é um gáudio para mim. Manuela Ferreira Leite tem um share negativo de 10% e Sócrates um share positivo de 18%.

Acham que consegui dar esta informação sem ser tendencioso? Eu acho que sim... Até elogiei os Brancos e Nulos! Esses ao menos não são tendenciosos... Agora vou ter esperar que nenhum intelectual de direita vislumbre uma mensagem subliminar neste artigo, caso contrário faço propaganda, sou um comprometido com o Regime (como se o regime não fosse o Democrático) e tenho como ídolo o Primeiro-Ministro (com quem certamente concordei menos vezes que os intelectuais de Direita durante o período de Menezes no PSD, aí valia tudo).

P.S: Acabei o texto com um parêntisis e um ponto final, não porque não saiba escrever (eu sei que o censório intelectual de Direita que aqui pudesse vir iria pegar por aí) mas para não ferir susceptibilidades. De um lado a propaganda, do outra o pudor exacerbado. Eu cá prefiro escrever um texto desorientado, até porque o Parvo de Gil Vicente ganhou o céu.

Calendarização televisiva

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Mais um "incontornável" escrevendo sobre a "produção de realidade" que se assiste em Portugal. Enquanto não se responsabilizarem os Media, as coisas vão ser assim. Há de facto um carrossel em que os Media propositadamente nos põem, marcando o timing. É contra isso que abertamente tenho estado. Contra uma impunidade do quarto poder. Uma sociedade sem meios para lhe aplicar a justeza da causa, leia-se deontologia, é uma sociedade que vai girando à velocidade dos jornais, na orientação dos jornais, isto é, gira no carrossel das causas que erraticamente cambaleiam entre a verdade e a mentira, entre o interesse público e particular.
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"Catarina passara o braço direito sob o pescoço de Ricciardo e, com a mão esquerda, segurava solidamente aquele objecto a que vós, Senhoras, tendes grande vergonha de vos referir na presença dos homens."

"A dama, rindo muito, decerto porque tinha motivos para tal..."

"Ora, certa noite em que o monge e a dama folgavam com o maior dos entusiasmos, pareceu a Irmão Puccio que o soalho da casa estremecia."

"A história correu de boca pela cidade e deu origem ao provérbio segundo o qual "serviço mais agradável a Deus é meter o Diabo no Inferno". O provérbio atravessou o mar e ainda hoje é usado."


Citações de Histórias Eróticas de Giovanni Boccaccio


Giovanni Boccaccio escreve no seu Decâmeron cem novelas contadas por dez jovens que se refugiaram da Peste Negra. Destas novelas saem as doze que compõem este livro. Apesar do conteúdo erótico, este está empreganado do espírito do século XIV, resultando em sátiras socialmente interessantes e críticas para com o costume e a religião. Tudo enleado numa comicidade já perdida nos nossos tempos. Para leves soirées.

Qué pasó Raul?

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Nunca o Barça tinha marcado 6 golos no Barnabéu...

Epílogo político de uma semana mais curta

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Hoje Pedro Passos Coelho escreveu um artigo no Jornal de Negócios. De título “Não ao Bloco Central”, Pedro Passos Coelho escreve o seu artigo. Seu na verdadeira acepção da palavra. Seu porque lhe assenta bem. Seu porque lhe é conveniente. Merece atenção.

Muitos dizem que Pedro Passos Coelho é demagogo. Um “estiloso moderno” que mais se apronta com a figura de “Sócrates do PSD”. Pois bem, tal como a palavra “estiloso”, também este imagem Socrática neo-liberal é algo que julgo não existir. Até porque, em última análise, o próprio Sócrates corporiza-a. Ainda assim Pedro Passos Coelho é moderno, isso é. Preconiza a juventude com ideias, e isso será a última coisa de que o possamos acusar. Não perde uma oportunidade para mostrar a sua matriz neo-liberal, veja-se o penúltimo parágrafo da sua opinião. Muito antes disso, Pedro Passos Coelho procura o essencial: usar da sua imagem de “Gestor e militante do PSD” como ele próprio assina o artigo, vulgo “independente mas pouco”. Parte dessa imagem para, por A mais B, designar o bloco central como uma tentativa de esvaziamento quer da alternância democrática, quer da alternância ideológica moderada do espectro político português. Manifesta-se um ostensivo reformista e um recôndito assustado pelo crescimento dos partidos radicais. O artigo é bom e é isto.

Por deslindar fica uma intenção indelével. Demarcar-se e definir as linhas pelas quais Manuela Ferreira Leite se terá de coser. Limitar as opções da actual líder é uma condicionante que neste caso é quase mortal. Isto porque pegando nas sondagens, algo que Pedro Passos Coelho também faz neste artigo, o próximo governo não estará no poder durante toda a legislatura, excepto se tiver maioria, o que a inviabilização do bloco central em muito limita. Mais limita se observarmos que BE e PCP não farão coligação com o PS e a escapatória será uma desconstrução ideológica total preconizada por um PS/CDS. Caindo o governo a meio da legislatura, em provável recuperação económica, Pedro Passos Coelho avança primeiramente sobre um bando de chacais sedentos de poder (PSD), cavalgando à posteriori sobre um PS esmagado na imagem de governo quedo e murcho. Assim lançará a sua estada de 8 anos de poder, numa segunda legislatura provavelmente em maioria absoluta.

Pessoalmente entendo que o artigo está correcto no essencial. Combater os radicalismos passa por acentuar diferenças entre o centro-esquerda e o centro-direita, algo que um bloco central apagaria. Para além disso, assumo o mesmo incómodo de Pedro Passos Coelho: nem ele quer o PSD coligado ao PS, nem eu queria o PS coligado com o PSD. Mas este é um dos raros casos em que a circunstância ajuda a determinar a norma. Quanto vale a estabilidade em tempo de crise? Muito, com certeza. Tanto que o fim justifica estes meios. Mais do que a crítica ideológica (noutras publicações lá chegarei), a grande crítica a fazer a Pedro Passos Coelho é que, não defendendo uma alteração do sistema democrático, como não só eu mas também outros defendem, acaba por desvalorizar a estabilidade governativa. Nos tempos que correm, essa vale ouro.