Vai mais um que só 14 é pouco...

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Sem continuar a jogar o que jogou entre 2005 e 2007 Federer completou hoje o seu 15º Grand Slam, o sexto em Wimbledon para se colocar no lugar devido, #1

Clara declaração de intenções sujas

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Há quem não esteja de acordo com a medida tomada pelo PS, e já antes tomada pelo PSD, de limitar as candidaturas a uma, isto é, os candidatos ou são candidatos às Câmaras, ou são candidatos à Assembleia da República. O que não espanta é que de entre os críticos, apenas constem deputados do PS que entretanto já se lançaram numa candidatura a Câmaras Municipais. Dizem estas pessoas que "não se podem mudar as regras do jogo a meio" e que "a clareza democrática não sai beneficiada com isto". Que querem dizer? Que se soubessem anteriormente já não se candidatavam às Câmaras? Que vêem a Assembleia da República como uma espécie de concurso público para arranjar emprego? Infelizmente penso que é isso que querem dizer...

Assim sendo, as populações não devem votar nestes novos "autarcas a contra gosto" e os partidos devem-se questionar das verdadeiras motivações dos Deputados que apresentam nas listas às Legislativas.

A justeza não tem palas

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Com tanta falta de exemplo, esta despedida, pelo gesto construtivo e apaziguador, merece todo o crédito e respeito. Ontem a Assembleia da República provou que houvesse Rambo e ele andava por São Bento. A "rasteirice" a que chegou o debate político na Câmara da Democracia é tão insultuoso como nefasto. Exige-se outra postura, outra clareza e outra rectidão. Por tudo isso, todas as posições não inquinadas são louváveis. Rangel foi recto ao despedir-se. Foi sempre um fidelíssimo defensor das suas ideias, um brilhante parlamentar do PSD e do Neoliberalismo Português.

Com toda a boa vontade democrática desejo a Rangel um bom e sério desempenho no Parlamento Europeu, pela Europa, e se puder ser, por Portugal.

Considerações sobre arte: O contributo de Gógol

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O prometido é devido; assim sendo lancemo-nos na dissecação da Arte tal como Nikolai Gógol a meditou: conceito, percurso e ameaças.

Conceito de Arte

Para ser Arte não basta ser qualquer objecto que nos desperte curiosidade. Segundo Gógol, a Arte necessita do engenho do artista e acima de tudo necessita do artista. Da alma do artista! Para Gógol o artista tem de estudar artes para explanar no belo os sentimentos e impressões íntimas, os seus conceitos pessoais, o calor humano das sensações. Quando Gógol pensou na Arte, no seu espaço e suas expressões e qualidades indissociáveis, pensou que um quadro inacabado feito com total entrega do artista é mais arte que a mais bela das paisagens friamente retratadas.

Percurso do artista, alcançar a Arte


No entender de Gógol o artista alcança a plenitude quando a sua concentração na obra tornou o seu mundo hermeticamente fechado. Ser artista não é um trabalho das nove às cinco, é viver no mundo da Arte. Para além do enfoque dado à concentração, Gógol não despreza o conceito de talento, bem pelo contrário, tem-no como o aspecto “mágico” que distingue. Gógol diz mesmo que sem talento a arte torna-se o “artesanato da arte”.

Ameaças à Arte

De facto, para além do seu mundo místico e do seu estupendo talento literário, Gógol, pese o facto do seu obscurantismo religioso, era um escritor com grande visão. Por isso, em “O Retrato” estabelece todo um conjunto de perigos que rodeiam o artista, ameaçando assim a Arte. Todos eles são de incrível actualidade, e alguns bem mais patentes nos nossos dias do que no São Petersburgo do séc. XIX. Destaco o perigo da social, o perigo do crescimento e o perigo económico. O perigo social consiste na pressão de que o artista é vítima. Assim, a moda e a ignorância artística do público pressiona a que a Arte se estandardize, ou por outra, se desconstrua enquanto expressão do artista. A pressão popular leva ainda à produção em série de obras, algo contraditório ao que definimos como conceito de Arte. O perigo económico está também muito ligado ao social. A situação económica influi nos estados de alma do artista. Um estado de pobreza levará a produzir o que outros querem em detrimento de si próprio. Os estados de riqueza são um incentivo ao ócio e à perda de virtude, implicando uma fuga ao mundo hermeticamente fechado da Arte. No caso descrito em “O Retrato” o artista pobre torna-se miraculosamente rico e procurando alcançar cada vez mais riqueza distancia-se da Arte e cola-se às modas da alta sociedade. Por fim o perigo do crescimento está associado ao amor pelas riquezas, à perda de espontaneidade, ao conformismo, ao egoísmo e ao endurecimento do coração. Em Gógol esta ideia está sublimemente expressa e identifica o quão difícil é ser artista sem reservas ao longo de uma vida inteira.

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"Repara, quantos desgraçados há neste mundo, quantas lágrimas, quantas penas, quantos dias sem sol! E eu, em troca... Eu, em troca, tenho o amor de uma mulher como essa..."

"Eu nunca fui ingrato(...) Mas quando não consigo exprimir o que sinto, é como se... como se pudessem julgar que eu sou efectivamente um ingrato, e isso dá cabo de mim!"

"Pelos vistos, a felicidade tinha-o trasntornado; sim, era isso, a felicidade."

"...Vássia sentia-se inferiorizado e indigno da sua felicidade..."

Citações de Um coração Débil de Fiódor Dostoiévski

Este pequeníssimo livro (cerca de 90 páginas) da fase inicial da escrita de Dostoiévski é um constante retrato febril das emoções humanas. É por isso, sufocante, exacerbado, pulsante, irrequieto nas entranhas, turbulento, enfim, é Dostoiévski começando a sua carreira de escritor de interiores humanos. A narração é toda ela excessiva, disforme e absolutamente irreal. Algo calustrofóbico, porque apenas duas personagens tem verdadeiro relevo, o que só não o torna esgotante porque é curto. Acima de tudo expõem a febre sentimental, o torrencial de sentimentos que nos oprimem, e esse mesmo efeito opressor. Levantando um pouco o véu, neste caso os sentimentos que Dostoiévski quase ensaia neste livro são o sentimento de culpa e de responsabilidade. O personagem principal é vítima de um carácter frágil onde o senso de responsabilidade que sente perante os outros o esmaga, uma vez que ele é adorado por todos. O medo de desiludir os que o amam transtorna-o. Muito curto, é o ideal para quem não goste de Dostoiévski e apenas pretendar dar uma olhadela na obra deste Incontornável.

Ao menos isso

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Ao menos demitiu-se. Ao menos a demissão foi aceite. Ao menos sempre que acharmos tudo obscenamente insano lembremo-nos que ainda à quem peça a demissão, nem que seja por esse simplório e meramente aparente ess muss sein.

Quanto ás questões de causa, parecem causas vencidas, assassinatos da ignomínia em que se transformou a nossa vida política. O abandono da política das causas, em prol da política dos gestos e da imagem como retrato da infame forma de fazer política em Portugal.

À espera de evitar o luto

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Fico à espera das decorrentes consequências. Caso não hajam, o problema extrapola a esfera da má política involuntária galgando para a esfera voluntária. E isso é da mais grosseira baixeza. Expoente da Décadence, desperta apenas o sentido de luto político, cívico e democrático.