À consideração da intriga benevolente

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Oh lááá...

O retrato exacto disto

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O retrato feito nos primeiros 20 minutos deste vídeo são de triste antologia. Subscrevo totalmente, e a falácia da nossa putativa Esquerda em Portugal, de politicas de conteúdo tartamudeado entre palavras excelentes, está escarrapachada no minuto 12 deste vídeo. Isto é serviço público.

A Estrada Real

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"- Quem se mata corre atrás duma imagem que se formou de si próprio; ninguém se mata senão para existir."

"Desconcertado por sofrer, não só pela morte daqueles que amava, mas ainda pela de uma mulher que não amava, suportou a sua morte, quando ela chegou, com uma resignação desanimada."

"-Nunca se faz nada da vida.
- Mas ela faz qualquer coisa de nós.
-Nem sempre... Que espera da sua?
(...)
-Creio que sei sobretudo o que nã espero dela...
-Cada vez que teve de optar...
-Não sou eu quem opta: é o que resiste."

"Porque é que trabalhavam? Para ganharem consideração. (...) A submissão à ordem do homem sem filhos e sem deus é a mais profunda das submissões à morte..."

"Não sabe o que é o destino limitado, irrefutável, que cai sobre um homem como o julgamento sobre o prisioneiro: a certeza de que se será isso e não outra coisa, que se terá sido isso e não outra coisa, que o que não se teve, nunca se terá."

"É quando entra em declínio que uma pessoa se deve matar, mas é precisamente quando se entra em declínio que se volta a gostar da vida..."

"Você sabe tão bem como eu que a vida não faz o menor sentido: não é por se viver só que se escapa à preocupação do seu destino..."

"-Não é para morrer que penso na minha morte, é para viver."

"Agora, não há nada pior que aquilo que era a esperança.

"Sentiu furiosamente o desejo de disparar sobre ele, como se só o assassínio lhe tivesse permitido afirmas a sua existência."

Excertos da obra "A Estrada Real" de André Marlaux

Livro de aventuras inspirado nas florestas do Sião e no espírito tribal das gentes da área de Angkor-Wat, Malraux usa dos seus conhecimentos da área - onde de facto viveu -, para exarar este livro de pendor profundamente humanista. Esta obra, escrita três anos antes de A Condição Humana, é talvez o prelúdio do seu conteúdo. Com uma história linear, ainda que confusa no estilo, a narrativa vale sobretudo pela descrição agreste da floresta e dos ambientes húmidos das floresta do Sião, nas regiões hoje de Laos e Cambodja. Também nas personagens não se estabelece uma grande teia, vivendo-se invariavelmente na dupla que move a acção. Por isso, acaba por ser o conteúdo humanista que sobressai, particularmente na construção de diálogos quase impossíveis fora do mundo literário. Uma imprecisão realística que muito valoriza o livro, pois este, na minha opinião, apenas impressiona pelo exegese filosófica que faz da morte e da vida (parece-me ser esta ordem naturalmente invertida a correcta neste caso). A Estrada Real é um livro sobre a morte, a fraqueza da condição humana, e a força de, na vida absurda, haver uma morte pacificada.

Marginalizar as ilhas

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Observando a composição das listas para a Assembleia da República, observo, já com pouca estupefacção - miserável sinal dos tempos -, que Alberto João Jardim será o cabeça de lista pelo evidente PSD ao círculo eleitoral da Madeira, seguido de perto na peugada por Ricardo Rodrigues que, em idêntica posição, se apresenta, com a mesma elementaridade, pelo PS no círculo dos Açores.

As gentes das ilhas irão, como bons cidadãos, escolher entre as escolhas. Na Madeira, um cabeça de lista que não assume o cargo não comporta já, qualquer novidade. Nos Açores, eleger-se-á aquele que foi um dos braços armados do governo na AR.

Força nisso.

Literatura low-cost em tempos de FMI

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À atenção dos interessados. Bons livros, de autores mais ou menos controversos, ao preço acessível, próprio das colecções. Por vir atrasado, escapou-me o primeiro volume, mas ainda o vou tentar resgatar. Ter A Mãe, O Castelo ou Três Mulheres por 5,95€ só pode ser bom negócio.

Património

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"Louie Chesler está num hospital, a urinar sangue. Ida Singer não vê quase nada. Milton Singer não pode andar e está numa cadeira de rodas. Turro - lembras-te do Dick Turro? - tem cancro, coitado.(...) Conseguia, assim, não pensar inteiramente no seu tumor."

"A morte de um progenitor é horrível. Quando a minha mãe morreu, eu não fazia ideia de que me ia sentir como me senti. Metade, ou mais, da vida desaparece."

"- Era um merdas e um falhado e queria que eu também fosse um falhado. A miséria adora companhia."

Excertos de Património de Philip Roth

Um não-romance, obra biográfica romanceada; este é o tributo de Roth ao seu próprio pai. Confesso que poderei ter escolhido mal. Isto não é o protótipo de livro com que se dê o tiro de partida para qualquer escritor. Ainda assim, o livro segue o aspectos gerais que vejo em Auster ou até mesmo em Truman Capote. Resumindo, a literatura americana não me entusiasma por aí além. Injusto? Talvez, e Roth é um eterno candidato ao Nobel, mas as linhas soam sempre mais ao menos ao mesmo. A uma escrita escorreita mas demasiado despreocupada, onde o escritor entra em nós não como um ente genial ou um amigo de longa data a precisar de desabafar, mas num meio termo que me é incomodativo. De resto, é um livro sobre a morte anunciada de um pai e tudo o que isso acarreta. Melhor, é sobre o que isso provoca em nós. É sobre a morte sempre prematura, mesmo aos 86 anos; sobre a eterna compreensão depois de anos de mágoas geracionais; sobre a decadência que colhe a sabedoria; sobre a genética dos sentimentos genéticos. Nisso, este livro é bom.

Desespero

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"Mas a verdade é que a amava por ela me amar."

"Por exemplo, era capaz de estar na cama com Lydia, desafiando as breves séries de carícias preparatórias a que teoricamente ela tinha direito, e de repente ter consciência de que o diabo da Cisão se tinha imposto."

"E o resto foi tudo inventado, a religião, a poesia... oh donzela, como sofro, oh, o meu pobre coração! Não acredito no amor. Já a amizade, isso é outra história. A amizade e a música."

"...um mundo em que o trabalhador que cai morto aos pés da sua máquina será imediatamente substituído pelo seu perfeito duplo sorrindo com o sorriso sereno do perfeito socialismo."

"Qual autor relendo a sua obra mil vezes, verificando e testando cada sílaba e no fim incapaz de dizer de aquele mosaico de palavras se é bom ou não, assim aconteceu comigo, assim aconteceu."

Expressões retiradas de Desespero de Vladimir Nabokov

Auto-desafio, entretém intelectual, auto-elogio, farpa inimiga aos clássicos (Dostoiévski sobretudo) e aos comunistas, desabafo. Um pouco de tudo isto vindo de uma história onde Nabokov parece apenas querer impressionar o leitor. Escarrapachar em cada linha o seu talento estudado. Pouco depois de começar, já nos contava que poucos escreveriam como ele, até porque ele tinha lido mil e dezoito livros entre 1914 e 1919. A história trata de um homem - um Nabokov fugido da realidade factual - que num delírio se convence de ter encontrado o seu duplo perfeito. Depois, a personagem, envolta numa êxtase narcisista e desassombrado, resolve assassinar o seu duplo e forjar a sua morte, talvez não tanto pelo prémio do seguro de vida - que serve de móbil assumido ao crime -, mas antes por exercício de superioridade intelectual. A procura do crime perfeito, ou talvez do super-homem de Nietzsche. Uma história que mistura a crítica à URSS e à cultura Russa com um romance introspectivo e intrincado; sempre salpicado de profundo talento e capacidade de subversão escrita e imaginária.