"Não devíamos esperar que fosse a Europa que nos desse um futuro."
Ramalho Eanes
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O retrato exacto disto
O retrato feito nos primeiros 20 minutos deste vídeo são de triste antologia. Subscrevo totalmente, e a falácia da nossa putativa Esquerda em Portugal, de politicas de conteúdo tartamudeado entre palavras excelentes, está escarrapachada no minuto 12 deste vídeo. Isto é serviço público.
Marginalizar as ilhas
Observando a composição das listas para a Assembleia da República, observo, já com pouca estupefacção - miserável sinal dos tempos -, que Alberto João Jardim será o cabeça de lista pelo evidente PSD ao círculo eleitoral da Madeira, seguido de perto na peugada por Ricardo Rodrigues que, em idêntica posição, se apresenta, com a mesma elementaridade, pelo PS no círculo dos Açores.
As gentes das ilhas irão, como bons cidadãos, escolher entre as escolhas. Na Madeira, um cabeça de lista que não assume o cargo não comporta já, qualquer novidade. Nos Açores, eleger-se-á aquele que foi um dos braços armados do governo na AR.
Força nisso.
As gentes das ilhas irão, como bons cidadãos, escolher entre as escolhas. Na Madeira, um cabeça de lista que não assume o cargo não comporta já, qualquer novidade. Nos Açores, eleger-se-á aquele que foi um dos braços armados do governo na AR.
Força nisso.
Das minorias parlamentares
" E assim continuará a ser, até ao fim desta imprudente experiência minoritária, que se espera que sirva de lição e abra caminho à inscrição constitucional da sua impossibilidade..."
Sublinho o que diz aqui Carrilho, algo que também eu defendo há algum tempo em paralelo com um regime presidencialista. Na verdade, está mais que visto que isto assim não dá. E tudo o que for dar instrumentos reais para o exercício do poder é bem vindo. Em Portugal o regime só permite este ridículo "tacticista" porque somos de demasiados brandos costumes. O povo vota sempre pela inacção, nunca pelo espírito reformista, e isso mostra como em 35 anos de democracia, vivemos apenas 15 em maioria absoluta. O resto foi andar a empatar e a endividar. Gestos de sobrevivência política.
Fim de campanha. Começo de algo.
Nobre saiu derrotado,até porque eu não concebo essas geometrias paralelas em que vários candidatos ganham as mesmas eleições. Mas isso, em nada retira o mérito da sua coragem, dos seus princípios de cidadania, da força motriz da ruptura que preconizava - e pela qual foi gravemente prejudicado em campanha - e, em última instância, de me ter feito votar em alguém, pela primeira vez, por profunda convicção.
Quero acreditar que estes princípios não colhem 14% dos nossos cidadãos, mas uma maioria alargada, e por vezes, as coisas começam assim.
Pobres mas ecológicos
Tenho sido muito crítico das políticas do governo, particularmente no período mais recente. Contudo, e até porque a campanha que intermitentemente vem apoquentando as ruas me tem aborrecido, abro o ano - politicamente falando - com um elogio ao governo: o aparente sucesso da aposta nas energias renováveis.
Num certo programa do Esplanada Cidadania, e por exercício de coerência, referi que Portugal teria, pelas suas características geográficas, um claro trunfo no século XXI: as energias renováveis. Frisei aliás que esse poderia ser, desgraçadamente, o nosso único trunfo. Aqui chegados, é bem certo que Portugal não marca o passo de coisa nenhuma, nem define agendas, muito menos padroniza a energia-tipo utilizada na produção em massa dos dias de hoje. Contudo, a simples diminuição da dependência de combustíveis fósseis, e a consequente redução da famigerada factura energética, são, per si, factores de competitividade no longo prazo.
E se hoje, a energia verde está longe de ser barata, e por isso, eficiente, este é pelo menos um sector que reúne duas boas notícias; a saber: somos pioneiros, e esta apresenta tendências estratégicas no futuro.
Num certo programa do Esplanada Cidadania, e por exercício de coerência, referi que Portugal teria, pelas suas características geográficas, um claro trunfo no século XXI: as energias renováveis. Frisei aliás que esse poderia ser, desgraçadamente, o nosso único trunfo. Aqui chegados, é bem certo que Portugal não marca o passo de coisa nenhuma, nem define agendas, muito menos padroniza a energia-tipo utilizada na produção em massa dos dias de hoje. Contudo, a simples diminuição da dependência de combustíveis fósseis, e a consequente redução da famigerada factura energética, são, per si, factores de competitividade no longo prazo.
E se hoje, a energia verde está longe de ser barata, e por isso, eficiente, este é pelo menos um sector que reúne duas boas notícias; a saber: somos pioneiros, e esta apresenta tendências estratégicas no futuro.
Um europeu fica sempre muito mais descansado
Assis, o mesmo que se perfila como futuro desalinhado mas que, até há bem pouco tempo, se limitava a ser (mais um) fiel seguidor do famigerado líder, veio a terreiro, nessa sua singular condição bipolar, pugnar por uma Europa mais coesa. Por certo, a Kanzleramt ou o Eliseu já tremem com tais declarações, ou tremerão, mal elas forem traduzidas para as línguas respectivas...Os problemas da Europa, esses, ficarão na mesma. Nos entrementes, Sócrates foi falar com Passos e Portas. Pois bem, o José Mário Branco é que tinha razão: eles pensam tudo por ti.
Num país feito de açúcar
Bem sei que ando afastado destas lides. É bem certo que tenho tido que fazer, tanto como o que tenho tido para me distrair, mas agora, que estou prestes a chegar a Portugal, como sempre, porque é de longe que se é, estranhamente, mais português - ou português por inteiro -, acompanho as notícias. Há de todas, e isso obnubila muito iluminado. Há as tristes, aquelas que sendo tristes nos permitem a veleidade do riso, e há estas. Estas deveriam abrir jornais, televisões, debates, artigos e mentes. Mas num país feito de açúcar, não o fazem. Lamentavelmente, eis tudo.
A transcrição de alcoviteiros
Trata-se de uma grande bisbilhotice, que é o nível médio do jornalismo recente. Contudo, e ainda que não subscrevendo a prática - eu não estaria a ser coerente -, isto acontece em todo o lado onde haja um partido português. Ou pelo menos, no triunvirato do poder. É do nojo... E assim vamos andando, num regime que (surpresa!) é parlamentarista...
Tempos do nojo

Chávez veio, numa "corridinha", dar o seu imprestável - se alguma vez teve préstimo - contributo e, ao que constou, auxílio ao país que vai sendo Portugal. A comunicação social, estou certo, fez a cobertura que se lhe impunha. Com o homem da boina basca, a "amandar pó revolucionário", a revolução continua a bom ritmo, tal como na Venezuela avançam os assassinatos sem culpado. Estes, juntamente com Khadafi, Lula, Mugabe e o Santos, de Angola (os da casa já se sabe, não fazem milagre), hão-de formar uma tríplice qualquer, a "Dupla Tríplice dos Seis". Decerto que não dariam por tamanha estupidez.
Para os arautos da austeridade
Este artigo, excepcionalmente bem escrito, até porque se encontra num jornal que não o dessa especialidade, releva factos importantes e que muitos, por raiva - pois só assim se explica -, não querem lembrar, apregoando a austeridade, o genocídio de função pública e o aumento de impostos, qual catana estendida para o povo. Gosto sempre de lembrar que o povo se endividou fartamente à custa dos bancos, que se endividavam, gulosos, por esse estrangeiro fora, para financiar a sua ganância. Que o povo não percebe nada de finanças, talvez porque ninguém lhes saiba explicar. Que o Estado gasta, e muito, onde não deve; tanto que apontar o dedo aos outros vale um escarro. O teimoso traçado rumo à destruição da economia nacional, que desta feita se faz em TGV, tem os mesmos predicados da última, em 1892, quando sem divisas mas muita vontade, avançámos para os caminhos de ferro (que ironia). Dos empresários, nem é bom falar, são os mesmos que passeavam nas corridas de cavalo de Eça, mas falam pior e acham-se mais espertos. Sim, a crise é de valores, não fosse Adam Smith, o primordial liberal, antes de tudo, um professor de moral... Escocês.
Nota: Ainda que moral, há muitas coisas a fazer pela economia europeia, veja-se o caso dos EUA e os angustiantes ensinamentos de Krugman.
Nota: Ainda que moral, há muitas coisas a fazer pela economia europeia, veja-se o caso dos EUA e os angustiantes ensinamentos de Krugman.
Da (in)justiça

Como nunca é tarde para expressar indignação, este blog não se poderia manter silencioso sobre a insidioso saneamento de Carrilho. Num país destes, pode-se esperar mais do que isto?E já agora, como se pode apelidar de "polémico", como eu já li acerca deste, um livro que simplesmente espelha um raciocínio de um cidadão? Mais, um exercício pensante, uma vez que nas palavras de Carrilho: "Nas minhas crónicas, procuro sempre escrever para compreender e (se possível) fazer compreender; é na escrita que se desenvolve e apura a inteligibilidade do mundo...". Mas valerá a pena consertar isto se isto não tem conserto... Vale pois, e à bruta se for possível, porque esta gente acha tudo polémico, e cala-se perante todas as polémicas.
A Europa, a Civilização e o Federalismo
Para início de conversa, porque lamentavelmente a estada holandesa tem sido demasiado trabalhosa para grandes lavras, fica este post inteligente e lúcido.
Uma recomendação cega
Ora aqui está um livro que eu, obrigatoriamente, irei ler. E não vejo a hora de lhe por a mão em cima! Não tenho opinião formada sobre o plumitivo Raposo, mas o simples facto de ter exarado este livro dá-me confiança. É que isto, ou aquilo que suponho esteja ali escrito, é algo em que penso e com que me assusto faz tempo. E atenção, a experiência holandesa, só me tem reforçado este receio. A ideia vigente neste momento - e pior, daqueles que serão os futuros quadros da Europa - é a da caridadezinha coqueterie, da integração arrozada, da relativização dos pilares constituintes do ser europeu em prol de uma globalização que - dizem eles - acrescenta valor. É claro que tudo isto tem muito mais que se lhe diga; e tarde ou cedo, direi. Mas este post é só sobre o Um mundo sem Europeus. Leiam, eu vou ler. Andamos a precisar.
Purguemos
Ainda vou acabar por ver alguém defender isto. O lado positivo, e do ponto de vista pessoal, é que já teria uma motivação partidária: ver quanto tempo demoraria até ser expulso.
Coisas das quais tanto gosto
A última sondagem Focus/EUROEXPANSÃO dá 9,5% aos Brancos. Os Brancos seriam a terceira intenção de voto em Portugal. Pode parecer estúpido. Rotulem como quiserem. Estou farto... e gosto!
A Constituição dele - Expressões e ideias de Abril
Mudam-se os tempos, e é claro, também as vontades. Para o PSD, o legado histórico da Constituição está obsoleto e deve ser alterado. Entendem, com toda a legitimidade, que está fora do contexto actual, mas é nessa base que acabam com um interminável rol de expressões com muito ou pouco valor jurídico. Se algumas devem ser mudadas, até porque são causadores de atraso económico e falhas no desenvolvimento, outras são meros adereços passionais da esquerda portuguesa e da história de Abril. Cabe a cada um entender as que mais ou menos reprova retirar:
“A abolição do imperalismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado”;
" comissões de moradores";
"sector cooperativo";
"o direito à autogestão";
"coexistência do sector público, privado e cooperativo";
"o direito de expropriação dos meios de produção ao abandono";
"o direito à eliminação dos latifúndios";
"formas de exploração da terra alheia";
"redimensionamento dos minifúndios";
E por fim, cai por terra também a ideia do julgamento dos ex-membros da PIDE.
“A abolição do imperalismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado”;
" comissões de moradores";
"sector cooperativo";
"o direito à autogestão";
"coexistência do sector público, privado e cooperativo";
"o direito de expropriação dos meios de produção ao abandono";
"o direito à eliminação dos latifúndios";
"formas de exploração da terra alheia";
"redimensionamento dos minifúndios";
E por fim, cai por terra também a ideia do julgamento dos ex-membros da PIDE.
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