
Eis-nos de volta

Eles é que não são parvos!
Português: Olha, vai-se andando... E tu, pá!?
Espanhol: Muy malo! Tenemos mucho desempleo!
Português: Ah! Nós aqui também, mas vai-se andando...
Espanhol: Tenemos alguna esperanza porque el gobierno nos va a suportar, ya ha dicho que iba a cerrar algunas fundaciones e instituciones publicas porque tenemos que reducir el gasto del sector público.
Português: Vocês fecham fundações públicas?! Não sabia que isso era possível! Nós por cá criámos a Fundação para as Telecomunicações. E os nossos políticos vão sempre para lá nas reformas... Olha, ao menos não nos chateiam!
Português: Olha, nós estamos sempre. Não te preocupes com isso!
Espanhol: ¿No tienes miedo? No se sube el sueldo, no hay dinero para la justicia, educación o sanidad...
Português: Claro que vai haver! Foi por isso que votei PS, para haver isso tudo, e subsídio de desemprego, e SCUT, e modernidade.
Espanhol: Pero si el gobierno no tiene dinero, ¿como va hacerlo?
Português: Isso não é da tua conta! Somos independentes!
Os "Vencidos da Vida", a "Pasmaceira" e outras memórias
Certamente que haverá muitos tipos de silêncio. Um deles é o extenuado, outro o comprometido. O meu tem sido a simbiose de ambos. Comprometido com o que gosto, e com o dever académico, e extenuado pelo que não gosto, e com o dever que não tenho. Por isso, este blog têm-se humildemente acalentado de livros e de silêncios. De gestos subterrâneos que um dia, sei lá em que dia, sei lá se dia, virão a luz. O resto é sabido. Uma indignação surda para com a política escatológica e o alarve cúmplice da ignorância. Eles não se importam nem querem saber, e eu não me importo com eles, nem deles quero saber. Platão acabou A República dizendo “... e assim seremos felizes”; lá seríamos, aqui, ensurdeço dos panegíricos aleivosos, em cortejo silencioso e sem vontade de fazer parágrafos.
Europeus, o Tratado é importante
Assim como eu tenho o direito de achar que não é a figura de Ministro dos Negócios Estrangeiros da Europa, ou a usurpação, que tem sido contínua, da soberania legislativa de cada país, que levará ao bloco europeu coeso. Politicamente, como diz Carrilho, falta fundar a Europa. É, no meu entender, uma questão de identidade, salutar, de chauvinismo francês, de dependência alemã, de cepticismo inglês, de pobreza de espírito latino e de oportunismo da Europa Levante. Em relação ao Tratado de Lisboa, só a agilização do processo legislativo, onde agora o veto é muito mais difícil, poderá ajudar ao funcionamento real da Europa, com todo o perigo da imponderação que isso também poderá encerrar. Portanto, mais competências, mais responsabilidades; e agora vejam quem e que os partidos escolhem para ir para a Europa. Estamos conversados sobre o verdadeiro europeísmo dos Europeístas…
Perguntar-me-ão, porque centrei o foco desta análise no direito à discórdia Europeia. A resposta encontra-se na confrontação inversa, isto é, no dever à concórdia. Eu não quero uma Europa onde todos cumprem Carta dos Direitos Fundamentais, e a contratio sensu decreta-se para a República Checa o não cumprimento da Carta. Ou seja, o Tratado, que humanamente se tinha fundamentado e bem, na Carta, apresenta agora excepções; anuência cabal de que politicamente, não é por decreto que se funda uma Europa unida em valores. Mas há bem mais actos reveladores da falta de escrúpulo legislativo. Não querendo discutir a questão do referendo (isso dava um texto igual a este), não posso aceitar que se repitam referendos até a exaustão, ou depois no parlamento, haja um acordo parlamentar contrário ao sufrágio (França, Holanda e Irlanda). Também não posso ficar descansado com o subsídio, ou deverei dizer suborno, atribuído à Irlanda. E por fim, não quero um tratado de aprovação calendarizada, só para evitar que os Tories cheguem ao poder em Inglaterra antes da aprovação.
O projecto Europeu faz sentido, é desejável, mas alimenta hoje, fruto de uma assimilação de países e valores reductio ad absurdum, uma tarefa de fundação identitária bem mais árdua do que antes. A disparidade e a fraca aceitação pelos países embrionários dos países recém-chegados, leva a que políticos medíocres, com tiques absolutistas, e que apenas se reúnem no triunvirato de Bruxelas, aprovem um tratado onde os cidadãos em raro caso foram ouvidos e/ou esclarecidos. Europeu sim. Mas com seriedade.
Os sofrimentos do jovem Werther

Mas eu tive-a, apreciei esse nobre coração, essa nobre alma, cuja presença me engrandecia a meus próprios olhos tornando-me ainda maior do que era realmente, porque eu era tudo o que podia ser.
Estou contente, sou feliz, e, portanto, mau narrador.
Será quimera, Guilherme, o que nos torna felizes?
Vês tudo pequeno e mesquinho porque tu prórprio és mesquinho e pequeno!
O que mais me indigna são estas miseráveis distinções de classes. Compreendo muito bem que a desigualdade de condições é necessária à sociedade. Tem vantagens, de que eu próprio me aproveito; o que eu não queria era que ela me impedisse de gozar alguma alegria e de encontrar neste mundo, ao menos, uma sombra de felicidade.
Oh! O homem é tão efémero que até nos lugares onde tem a absoluta certeza da sua existência (…) aí mesmo se extingue e desaparece… E quão depressa!
Será então o destino do homem só ser feliz antes de possuir o uso da razão e depois de a perder?
Frases do livro "Os sofrimentos do jovem Werther" de Goethe
Não há muito a dizer sobre uma obra riquissíma, de linguagem prolixa e estrutura narrativa creativa e dinâmica. Expoente do Romantismo nas letras, e cuja carga dramática marcou profundamente o fim do século XVIII e a corrente literária a si adestrita. Apesar de não ser um apreciador da corrente, esta obra nunca repisa as mesmas sensações, antes potencia brilhantemente muitas das variantes de cada uma das sensações, o que não a torna uma obra lamechas mas um compêndio de expressividade. Brilhante.
Leituras
Johann Wolfgang Goethe
Logística: duas descobertas
Nas folhas Amistosas há o Café & Té, de uma amiga; e nas Folhas Soltas está Las Vancances de Hegel. Dois blogs bem feitos, com uma trago de intimismo, que trazem uma outra forma de ver os horizontes do mundo.