Bodo 2008, factualmente Mais Além

|

A gente não vai parar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota


Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar


Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo


Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar


Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar


Jorge Palma

A que coisas dissemos adeus?

|

Assim o escreveu Camões: "Todo o mundo é composto de mudança". Mudanças boas e más, vitórias e arrependimentos, nunca nossos mas do mundo.No meio de tudo isto, espaço para o indivíduo se perguntar: "A que coisas dissemos adeus?". Como é estranho o desconforto de ter esta noção. Esta noção de que tantas coisas nos passam, sem que possamos fazer algo mais que nos adaptarmos.

Há causas que expiram, ficam os homens que defendem causas mortas. Tenho imenso respeito por este fenómeno, não vá a minha causa partir no lodo actual e desaguar na infinita inutilidade. Caso isso me aconteça, acordem-me para que busque algo lógico e actual, não uma qualquer ideologia vã, mesmo que idónea, casta e apaixonante.

O horizonte da alma VIII

|
Aproxima-se um período de ocupação que me é pessoalmente sombrio. Sinto alguma culpa de me sentir tão ocupado, embora que seja vaga e vã a presença da ocupação no meu espírito. Talvez não esteja sentindo que está valendo a pena. As escolhas foram vãs, nunca estouvadas, mas certo está que não foram vernáculas. Ando-me fugindo… No fundo, não encontro utilidade nos motivos da minha apressada e essencialmente estudantil cárcere. Fecho a porta, e é temporário, estou certo disso, tão certo como da incerteza que de certo me percorre, neste estado de espírito em que faço a minha diáspora. É Domingo e não só… É dia de viragem entre aquele que sou, e o que tão prudentemente escolhi ser, a ponto de me ter tornado uma escolha imprudente.

Pensilvânia, o que falta, dólares e futuro

|
A vitória na Pensilvânia por parte de Hillary Clinton foi apenas uma confirmação do que já era previsível. Estado de tecido social semelhante ao Ohio, mergulhado numa indústria desbaratada e quinto maior do circuito eleitoral Democrata, era um importantíssimo bastião da Senadora Clinton, para esta manter as suas aspirações e tentar reverter um processo onde já vários influentes analistas acenavam com a desistência a favor de Obama.

O impasse poderia ter ficado resolvido ontem, caso Obama conseguisse reduzir a diferença para cerca de 5 pontos percentuais, e desta forma, perdendo por margem tangencial, assegurasse a manutenção de uma vantagem que, com Carolina do Norte praticamente decidida a favor de Obama, o conduzisse à eleição como candidato Democrata. Obama perdeu por 10 pontos (55% Clinton / 45% Obama), e nem Clinton se alargou nos dois dígitos como necessitava, nem Obama deu o golpe de misericórdia. As primárias Democratas vão mesmo ser decididas pelos Super Delegados, agora que matematicamente é impossível a ambos os candidatos alcançar os 2025 delegados necessários para ganhar a eleição Democrata em plena convenção do partido, em finais de Agosto.

Enquanto isto, o tempo corre a favor do Partido Republicano, já a trabalhar em exclusivo para as Presidenciais de Novembro enquanto que a disputa Democrata terá o seu epílogo eleitoral apenas a 3 de Junho com Montana e Dakota do Sul e a sua convenção será em pleno Verão. Este desgaste tem levado analistas a entender a desistência de Hillary como a melhor solução para o partido, e os Super Delegados, decisivos nesta eleição, parecem alterar o seu pendor inicial que seria Clinton, e virar-se para a surpresa Obama, até porque os dólares não mentem, e Obama está neste momento bem mais confortável financeiramente, com mais apoio e a gastar o dobro como na Pensilvânia em campanha. Já Hillary, recuperou do seu saldo negativo de onde tinha 10,3 milhões de dívida e 9,5 de cash, apoiada por mais uma injecção de 3 milhões após esta nova vitória.

Com esta situação eleitoral (cerca de 200 delegados de vantagem para Obama), os Super Delegados irão revelar-se decisivos, e na forma mais americana possível, Super Delegados pensam em super apoios, por isso Obama com perto de 235 milhões de dólares é o candidato visto como mais bem dotado para fazer frente a John McCain.

Os discursos tem sido mais brandos ultimamente, a ponto de Obama discursar “para fora” criticando McCain e Clinton não ter sido dura e acutilante nas críticas a Obama no rescaldo da vitória na Pensilvânia. Sendo assim, as críticas à política externa, saúde e segurança social, bem como a “crítica de recurso ao histórico” de posturas passadas dos dois senadores tem arrefecido. Desta forma, o pendor político está estacionado mais uma vez no dinheiro, especialmente na sua forma mais perniciosa, os apoios pré-eleitorais.

Para que a Bush (já considerado Presidente Norte-Americano mais impopular) não suceda outro Republicano, os Democratas têm Indiana (estado eleitoralmente parecido a Pensilvânia), Carolina do Norte, Dakota do Sul e Montana para decidir. Juntam-se a eles os Super Delegados, milhões de dólares, e esperemos, algum bom senso.

O horizonte da alma VII

|
Não quero partir.
Não quero ter na partida o meu Destino.
Nem quero que o meu destino seja partir.
Não quero chegar ao meu destino,
Não quero apanhar esse comboio,
Esse, que há-de ser ir embora.

Leva-me do cais para longe de mim,

Esconde-me da minha sorte,
Amarra o Destino com um abraço firme.
Solta-me no embalo de ver segurança nos teus olhos,
Que eu me embalarei junto de ti sem desconfiança,
Não fosse essa minha vontade.


Pedro Carvalho 21/04/08

Burt Glinn - A fotografia da Guerra Fria

|
Burt Glinn morreu hoje, a sua obra é um retrato sensível de décadas de convulsões políticas que ajudaram a definir as sombras e os contrastes das suas fotos.

"I think that what you've got to do is discover the essential truth of the situation, and have a point of view about it."

Certo está o Cocktail na dose certa

|
Um pouco de vida,
Uma porção de desgaste.
Peço-vos isso.
Preciso de delapidar um pouco de vida.

Como se a liberdade fosse um consumível,
Fácil, e excessivamente disposto diante de mim.

Vou há procura de equilíbrio.
Preciso de desequilíbrio para ser sustentável!
O excesso há de ser um dom humano!

Certo está o Cocktail que me queiras servir,
Se me sentir servido na dose certa, pois então…

Dêem-me a liberdade toda!
Dêem-me o desequilíbrio todo!
Preparem-me Cocktail.


Pedro Carvalho