Estou em conflito.
Como desejava pedir desculpa a mim mesmo de coisas que fiz...
Tenho pensado nisso, e no trajecto, o orgulho mescla-se com alguma desilusão.
Enfim, falhei. Algures, mas falhei. Não é um peso com que não se viva, mas dou por mim a pensar nisso e só nisso. Sim, eu sei que estou aqui. Eu sei que contínuo aqui. Mas é também um pouco isso: eu estar só aqui. Sou apreciado mas tenho medo de ser odiado também. Se incómodo não me importo, desde que seja incómodo por ser assim.
E mesmo sem mais nada, mesmo que vazio sobrasse, poder dormir num planalto de paz, num leito de conformação, mesmo sem mais nada.
As minhas desculpas
Lamento o facto de durante todo este tempo (vos) ter abandonado. Acontece que sem internet da Clix em casa devido a problemas com o operador supra referenciado têm-me sido impossível pôr-vos a par de novidades que na realidade têm acontecido.
Da faculdade vos escrevo,
Fiquem bem
Da faculdade vos escrevo,
Fiquem bem
O alcance da vontade

A vontade é uma força interior. Mais que isso, é uma consciência nada serena, apressada, prestes a cair sem cuidar que existe queda. É sobretudo um desassossego dentro de nós. É arrebatadora e sonhadora, convicta de que a verdade das coisas tem mais do que existir, tem de ser o passo que se dá.
Bem-haja a todos os que caíram enleados em vontade, porque caíram por bem. No fundo como uma criança que por ser criança, tem sempre mais vontades que perguntas ou renitências. Vejo num choro inconsolado de uma qualquer criança a frustração de não seguir em frente, a dor de nos vermos negados na vontade.
Sou alguém que preso muito a razão, no fundo sou cauteloso, mas não abdico de ter vontade aqui e ali.
Bem-haja a todos os que caíram enleados em vontade, porque caíram por bem. No fundo como uma criança que por ser criança, tem sempre mais vontades que perguntas ou renitências. Vejo num choro inconsolado de uma qualquer criança a frustração de não seguir em frente, a dor de nos vermos negados na vontade.
Sou alguém que preso muito a razão, no fundo sou cauteloso, mas não abdico de ter vontade aqui e ali.
Tenho vontade de aprender na vida, tenho vontade de aprender com quem me saiba ensinar, tenho vontade de lutar pelo que acredito, tenho vontade de escrever sempre melhor e penso que todos devíamos ter a coragem de nos enchermos de vontade para simplesmente sermos felizes.
Guardo algo muito especial nas minhas memórias. O sabor de aprender com quem não sabe que me está ensinando. Pessoas simples, bem mais ricas e sábias que outras de riqueza e sabedoria calculada ou reconhecida. Lembrei-me de um episódio de alguém, que mais do que ter algo para me ensinar, ensinou-me o que foi a vontade na sua vida, e então que agora me lembro disso, me comovi.
Guardo algo muito especial nas minhas memórias. O sabor de aprender com quem não sabe que me está ensinando. Pessoas simples, bem mais ricas e sábias que outras de riqueza e sabedoria calculada ou reconhecida. Lembrei-me de um episódio de alguém, que mais do que ter algo para me ensinar, ensinou-me o que foi a vontade na sua vida, e então que agora me lembro disso, me comovi.
Coisas minhas...

liberdade
do Lat. libertate
s. f.,
faculdade de uma pessoa poder dispor de si, fazendo ou deixando de fazer por seu livre arbítrio qualquer coisa;
gozo dos direitos do homem livre;
independência;
autonomia;
permissão;
ousadia;
(no pl. ) regalias;
(no pl. ) privilégios;
(no pl. ) imunidades.
- de consciência: direito de emitir opiniões religiosas e políticas que se julguem verdadeiras;
- de imprensa: direito concedido à publicação de algo sem necessidade de qualquer autorização ou censura prévia, mas sujeito à lei, em caso de abuso;
- individual: garantia que qualquer cidadão possui de não ser impedido de exercer e usufruir dos seus direitos, excepto em casos previstos por lei.
Lendo Alberto Caeiro
Finalizei a leitura do "Guardador de Rebanhos" e de uma grande série dos chamados "Poemas Inconjuntos". Fi-lo por gosto e confirmei as minhas anteriores impressões. Não sendo dos meus poetas preferidos, assim vos deixo...

Poema Nono
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro
A Raiz do Linho de Eugénio de Andrade
Por vezes lemos poemas que não se ficam por uma leitura. Conheço os seguintes versos à muito tempo, não os sei descrever. Gostava de fazer mais do que os ler, admirar, e levemente levantar um sorriso brevíssimo. São sublimes na simplicidade e na metáfora.
Fazem parte das minhas leituras.
A raiz do linho
foi meu alimento,
foi o meu tormento.
Mas então cantava.
Eugénio de Andrade
Fazem parte das minhas leituras.
A raiz do linho
foi meu alimento,
foi o meu tormento.
Mas então cantava.
Eugénio de Andrade
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