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Façamos história: SNS Americano

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O dia de hoje poderá ser mais um; mas também poderá ser um dia histórico para a ciência política mundial. O mais Europeu dos Presidentes da América, discursa hoje sobre o seu SNS. Para o bem ou para o mal, especialmente o seu, e muito em particular para 43 milhões de Norte-Americanos sem seguro de saúde. Seja como for, hoje é so o Warm-Up, sendo certo que, havendo SNS nos E.U.A, este será o dia 1 desse marco.

Os americanos não me parecem preparados para um SNS. Os Republicanos são abertamente contra, respondendo aliás aos anseios do seu eleitorado. Democratas dividem-se num hiato revelador. A matriz do país neoliberal por excelência, assente nos sólidos príncipios da Liberdade e da Iniciativa, e que projecta a consistência dos seus ideais ora no sucesso, ora no American Dreaming, vê um SNS com a óbvia miopia e descompreensão de um povo not quite cult. Portanto, o único aspecto francamente estúpido da discussão pública, é a forma ignóbil com a qual a media ignorância ludibria a ignorância popular: refiro-me obviamente aos funny posters que aqui coloco, e dos quais obviamente me demarco.

Em relação à discussão que se inicia hoje no Congresso (1 da manhã em Portugal), devo dizer que também duvido do sistema de financiamento que Obama irá propor, porque não conheço SNS´s não onerosos para as contas públicas. Em relação á medida, trata-se de investimento (o sufixo público dependerá da proposta de logo), mas acima de tudo, trata-se da tal inferência estatal que o Senador Mccain referiu no seu discurso. Trata-se de Welfare State à Britânica. Postos os dois factos relevantes, financiamento e modelo económico; devo dizer que como Europeu e Social-Democrata, sou obviamente a favor de um SNS. Mais, parece-me civicamente atrasada esta ausência, mesmo num país onde a intelectualidade sempre se pautou por Mill e Thoreau.

Estou, por isso, expectante; e saúdo a proposta, nem que seja só pelo braining storm que uma discussão pública causa.

Manuela Ferreira Leite foi constrangedora

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No final de um debate que poderia ser fácil para Manuela Ferreira Leite, Louça esmagou. Louça levou o debate para questões fracturantes, e para o bem ou para o mal, concorde-se ou não, esteve brilhante. Aliás, o grave problema de Manuela Ferreira Leite foi ter gostado tanto como eu do que ouviu de Louçã. Muito provavelmente por uma densa opacidade oratória, Ferreira Leite teve medo de contrapor, anuiu com frequência, e as suas repostas, presas às orientações de voto do PSD na Assembleia da República foram absurdas do ponto de vista da Lógica. Valeu pela economia, onde em alargados aspectos, tem o melhor programa eleitoral entre todos os concorrentes. Contudo, a ideia de um SNS privado em paralelo ao público terá de ser algo a rever.

Hoje ficámos a saber que Ferreira Leite, afinal, respeita todas as construções familiares, apenas as considera díspares. Mas assim sendo, onde cabe a oposição feroz ao regime das uniões de facto? É absolutamente respeitável uma posição contra ou a favor do casamento homossexual, pelo motivo de serem reuniões familiares antagónicas. O que não posso aceitar em Ferreira Leite é que concorde com Louçã, defenda a liberdade de escolha familiar e vote contra uma lei importante para o alcance dessa liberdade de escolha. Ouvindo o PSD à data da celebração do veto presidencial, percebe-se um PSD conservador, contra a liberdade de escolha em absoluto. Ouvindo Ferreira Leite hoje, percebe-se um PSD que deveria ser totalmente a favor da lei das uniões de facto, e unicamente contra o casamento Homossexual. Ambas as posições são admissíveis, mas incompatíveis no mesmo espaço e praticamente no mesmo tempo cronológico. Há uma clara ideia de que Ferreira Leite está em desacordo com as orientações ideológicas da sua bancada parlamentar, e não sendo dotada de retórica, baqueia vistosamente nestes campos.

Mesmo a terminar a entrevista, o momento da noite. Ferreira Leite sabe, e afirmou-o, que de facto teria havido um processo de intervenção estatal no afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI. Algo já afirmado pelo próprio, diga-se em bom rigor. A diferença, segundo Manuela Ferreira Leite, é que um era comentador, e Manuela Moura Guedes jornalista. Ou seja, para o PSD há diferentes níveis de censura. Para mim há diferentes níveis de descaramento, a censura é a mesma.

Entretanto alguém registou o desabafo: “O que o Engº. Sócrates pensa é-me indiferente.”? Por vezes o ódio tolda os espíritos. Com todo o direito à discórdia, penso que a líder da oposição devia ter em atenção o que Sócrates diz. Nós, os que os sufragamos, temos.

Desabafo evolutivo: Homo Tristemente Sapiens

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Eu olho para as gerações de 50, 60 e 70 e penso que pior do que nós, os jovens, só eles... Eles nasceram sem poder escolher, depois escolhiam loucamente, depois escolhiam ideais, depois escolheram ideias, depois escolheram ideias parecidas, camufladas no dinheiro de Bruxelas, depois votaram sem escolher e agoram votam tentando escolher a verdade.

Eu só tenho 21 anos. Só sou do tempo em que se vota tentando escolher a verdade. Não há ideias, ideais e até o dinheiro de Bruxelas já foi. Os tempos do PREC já eram, e dos do pântano sobram lúgubres remeniscências. De tanga estamos sempre; e a política... é tentar escolher quem diz a verdade. Para nós, jovens, é duro; agora imaginem para aqueles que são de outra vaza...

Vem tarde e em má altura

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O caso de hoje promete agitar a vida política portuguesa, que só por si está já agitada, tal é o cheiro a garraiada. No meio do desnorteio, e sem tentar deslindar aquilo que até ao momento é insondável, eis a minha opinião sobre este improvável acontecimento.

Em primeiro lugar eu acho que anda tudo doido! As garraiadas de Setembro e Outubro elevam o combate político ao tom soprano, só a letra é que não me convence… Já li e ouvi bonitas estórias, todas elas tão credíveis como a verdade absoluta ou a mentira mais óbvia (coisas que nesta história se prometem confundir por muito tempo). Entre elas destaco duas, sem comparar ou preferir. “Isto de certeza que é coisa do Sócrates! Não foi ele pela frente, mas por trás… Aquilo não lhe dava jeito nenhum e o homem não se conseguiu controlar! Usou o Estado para calar a TVI. Via Prisa, via Direcção da TVI, Via Verde… Ou então pior! Pagou à OnGoing para contratar o Moniz!” (sim eu já li a do Moniz também). Mas depois também temos os sectários da outra banda: “Isto é obviamente coisa da Manuela Ferreira Leite! Ela sabia que se o Jornal de Sexta fosse ao ar, ela poderia vitimizar a TVI, e o povo português, pimba; tudo em massa a votar na seta libertadora dos povos, qual paladino da democracia moderna!”. Ridículo…

Vai tão longe a imaginação dos alienados sanguinários dos partidos como foi o mau jornalismo daquele “noticiário”, ou melhor dizendo, “opinário”. Por isso, e a bem da isenção do Folhas ao Horizonte, reafirmo desde já o meu total desacordo e abjecção que nutria pelo Jornal de Sexta, um espaço noticioso tecnicamente mau, tendencioso e de investigação especulativa, muitas vezes romanceada. Mas estarei feliz por este encerramento? Não, claro. Porque ainda que perceba que a longo prazo é positivo para um país de espectadores nada selectivos banir o mau jornalismo, o que eu preferia era que os cidadãos por si próprios o tivessem banido. Banir por conveniência ou por decreto encapotado (caso as piores suspeitas se confirmem) um espaço dos media, é violador dos mais básicos princípios democráticos, e uma histórica mutilação da verdade do regime e dos valores expressos na Constituição. É, sem mais, o mal divino de um Estado; quer ao nível moral e ético (deveres subjectivos), quer ao nível jurídico e institucional (deveres expressos por assim dizer). E para os mais acérrimos defensores da Democracia, eis o compêndio nas palavras de Thomas Jefferson: ”Se eu tivesse que escolher entre um governo sem jornais e jornais sem um governo, eu não hesitaria em ficar com a segunda opção.”

O leitor está a pensar: “Caramba, ele fala do assunto mas não acusa nem defende, não se demarca, não escolhe… Este tipo é aborrecido!”. Queira vossa excelência saber que isto me preocupa deveras. Apenas não temos dados para justamente acusar, apenas suspeitar, e por enquanto, fica tudo dito da minha parte. Tudo não! Sabem que mais? As eleições fazem mal à malta! Atropelam-se entre eles, cospem-nos nos olhos, especula-se com excitação, dão-nos o joio a sorrir em cartazes. Para o Diabo que vos carregue!

Os leitores que me perdoem o mau nível estilístico deste texto mas é que hoje, nem eu me inspiro no assunto, nem o assunto me inspira... confiança... Boa noite, ela é a Manuela Moura Guedes, e este… o País que lhe/nos cortou o pio.

As ideias de uma Estadista

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Sendo verdade, censuro

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A ser verdade a notícia hoje difundida pela Sapo.pt e pelo jornal Público, o que mais nos deve interessar está afastado do corpo da notícia. Aquilo que os jornalistas fizeram foi dar voz ao descontentamento dos dois lados da barricada, isto é, amplificar os queixumes. Por um lado, o queixume socialista de que elementos da presidência contribuíam para a figuração do elenco legislativo do PSD; por outro lado, a acusação presidencial de que o governo poderá ter usado os meios policiais (ou outros) do Estado, para “escutar” Belém.

Do ponto de vista prático, este comportamento político disforme não surpreende. Deve-se antes às ligações políticas da Presidência, bem como ao clima de fricção institucional que os dois órgãos vivem. O PS denota de forma cada vez mais acentuada, estar em guerra com todos, com a oposição, com a Presidência, com sindicatos, com jornalistas, enfim com a comunidade que circunda qualquer partido ou governo democrático. No espectro prático, as reacções hoje amplificadas não passam de autodefesas dos próprios órgãos, face à sua encavalitada inserção no contexto actual.

O problema torna-se gravoso quando analisado do ponto de vista teórico, ou se preferirem, do ponto de vista da soma dos actos práticos. Como cidadãos, elegemos, financiamos e depositamos confiança política e até cívica nas instituições. Só assim faz sentido votar e viver em Democracia. Sempre que a Presidência se arrola em mesteres partidários quebra o principio da independência, ou por outra, quebra o elo de “Presidente de todos os portugueses”, porque para mim tanto me faz que seja fulano ou sicrano o candidato do PSD, mesmo enquanto eleitor! A mim o que me interessa não são as indicações de A ou B para certo lugar, mas sim a vontade, a ideia e o projecto que um tal de A ou B, por iniciativa própria, vem propor às urnas. E sendo verdade o vinculado, o PS, ao usar-se dos meios do Estado, via governo, para controlar os actos da Presidência, viola a lei e quebra o compromisso de solidariedade institucional para com o órgão máximo da República. A apropriação cria uma estalinista confusão entre Estado e Partido, uma promiscuidade inqualificável no seio de três instituições democráticas: Presidência, Governo e PS.

Ora, parece-me óbvio corolário desta notícia, e fazendo fé na mesma, que a guerra surda que se vive nas mais altas esferas do Estado em nada beneficia os legitimadores dessas instituições, os cidadãos, agrava o fosso entre a política e a sociedade civil desbaratando o pouco capital de confiança depositado pela sociedade na classe política, constitui péssima prática política, e põem em causa a fachada ferreamente séria das instituições Democráticas. Estes actos legitimam as dúvidas em torno do impacto que os interesses pessoais e partidários têm na defesa do interesse público, interesses antagónicos que chocam com vulgaridade e despudor. Bem certo estava Kant no seu imperativo, mas lamentavelmente, a razão prática das instituições carece da justeza, responsabilidade e ética adequada para se tornar lei universal. Pelo menos é este o meu aforismo.