A letargia europeia I

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Tempos de ebulição, fumaça e água escaldante para a Europa. A vitória da Direita é uma enorme nuvem de vapor sobre a pretensão da construção política da Europa. No fundo, talvez os Europeus não sejam Europeus, talvez isto seja tudo uma "fantochada" que os "senhores de gravata" assinaram sem dar cavaco a ninguém. Fechamos o projecto Europeu, continuamos nações, umas grandes, umas pequenas, outras por fundar, enfim... Somos só Europa para aquele sentimento de civilização superior e ancestral. Somos só Europa para ganhar o Nobel da Literatura. Somos só Europa para contar mil histórias confluentes em 1000 línguas misturadas. As nossas histórias, como os nossos rios, Volga, Reno, Danúbio, Elba e Tejo. Somos todos muito díspares talvez, e isto da Europa não faça sentido nem falta. É que fomos todos sempre Europa, sendo antes de mais cada um por si... Não era assim em Atenas, Roma e Bizâncio? Não era assim em Lisboa e Sevilha? Amesterdão e Londres? Era pois.

Eis a epopeia da letargia Europeia, escrita por mim, quase como que pensando não ser eu pensando.

Cataclismo, cataclysm, cataclysme, unglück, cataclisma

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Findas as Europeias e com poucos deputados por apurar, a Direita sovou a Esquerda Europeia. Uma derrota em toda a linha, onde só Dinamarca, Chipre e Grécia votaram PSE. Tudo o resto é uma mancha PPE (a nossa direita à portuguesa) e a direita liberal da ADLE que consegue vencer na Holanda, Estónia e Finlândia. Mais, só foram penalizados os partidos de governo à esquerda. Em França Sarkozy reforça, em Itália a direita vence tranquila, na Alemanha, esse monstro que sozinho elege 99 deputados, o PPE quase que duplica o PSE. Depois havemos de ter os miseráveis resultados da esquerda em Inglaterra (aposto que os trabalhistas não chegarão a ser sequer segunda força política). Para acabar o caso Polaco, profundamente neoliberal desde a queda do regime comunista, e que elege 24 deputados pelo PPE, 16 por um partido nacionalista da Europa, o UEN “Grupo parlamentar para a União da Europa das Nações” (o nome diz tudo) e apenas 6 para o PSE. O caso polaco é a maior barreira política que a Europa terá para voltar a ser de esquerda, uma vez que aí a direita ganha sempre uma considerável vantagem (neste caso 34 deputados).

Confesso, ainda estar a digerir tão incompreensíveis resultados. A única explicação que até ao momento encontro é a ignorância europeia dos povos que a compõem e como acredito que essa não seja a causa, por agora nada mais.

Ver mais aqui.

Um bem haja

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Ao bom senso.

Amanhã, a histórica decisão

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Amanhã vai ser um dia histórico. Federer pode de uma só vez quebrar os records que lhe faltam. Chegar aos 14 Grand Slam´s igualando Pete Sampras, e vencer o único Grand Slam que lhe falta, Roland Garros. Amanhã diante de Soderling, o sueco 28º da hierarquia mundial e que deitou "borda fora" Nadal, Roger Federer decide uma parte importante da história deste dia. Mesmo assim, sendo eu um apaixonado pela modalidade e tendo em Federer possívelmente o meu maior ídolo desportivo, não vou ver este acontecimento histórico. Sim, hei-de estar a votar, contribuindo como europeu que sou para a constituição do novo PE. E isso é que é realmente histórico.

Por isso, com mais ou menos sacríficio pessoal, faça o favor de ir votar.

As raras questões de consciência

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Um excelente caso de espírito de missão e humildade a que não posso ficar indiferente. Infelizmente, atitudes como esta são notícia, e todos aqueles que se agarram aos cargos públicos, como se da sua própria vida biológica se tratasse, já passam despercebidos na corrente imunda da normalidade política.

Como já tivera afiançado num programa do Esplanada Cidadania, a democracia Inglesa ainda está um passo à frente. Ainda que temendo que este passo que apelidei de "à frente" seja mais um passo atrás. É que as atitudes nobres na política, parecem agora estar demodé. Se assim for, que a Democracia Inglesa continue por muitos e bons anos "parada no tempo", até porque, os sinais sinistros da modernidade espreitam com o caso da Câmara dos Comuns.

Para pedir desculpa aos netos

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The #1 Selling Vehicle Manufacturer in the World for 76 Consecutive Years.


A General Motors abriu hoje falência. No final do prazo estipulado pela administração Obama para efectuar as garantir bancárias. A história da GM não acaba aqui. Poderia acabar, se o modelo que tão bem assentou à GM durante todos estes anos perdurasse. Na verdade, o liberalismo, ou o neoliberalismo, porque há sempre um prazer sórdido do Homem em repetir, até os tristes fados da História, aconselharia a uma extinção, tão própria das falências. Mas Obama achou que não, que o Estado deveria fazer o resgate desta empresa com 30 mil milhões do erário público. Sim, 30 mil milhões. Em troca, os contribuintes ficam com 60% da GM. O mesmo é dizer que se tratou de uma nacionalização, mas à americana, uma não-nacionalização.

Para além do facto histórico, alguns traços são representativos e infelizmente reveladores. Esta "nacionalização" não é uma prova da queda do Neoliberalismo, é antes de mais, uma inversão de papéis. O Estado suporta o Neoliberalismo. Ampliou ao máximo os seus príncipios num ânsia de prosperidade e crescimento que indubitavelmente mais nenhum modelo consegue. Ampliou uma ideologia que é contra o Estado. O "pai" criou, e mais do que isso alimentou, um filho que renega o pai. Agora, o Estado vê-se fraco, tão débil que é escravo do neoliberlismo. O ponto cimeiro desta relação esclavagista é este facto. Aquando da queda de um monstro económico privado, o Estado mais não consegue fazer, que amparar a queda.

Sobre o tempo corre o tempo, e aqui e ali homens deixam marcas, que mais não são que tempo que passou ou há-de passar. Por isso, daqui a uns anos, a GM será o expoente da boa gestão e da prosperidade e óbviamente será privatizada por aqueles que acham que o Estado só atrapalha e limita possibilidades. O filho emancipa-se de novo, quase numa ingratidão que mais não é que, por e simplesmente, ser uma doutrina de pura e livre iniciativa canibal.

Eu entendo que ao Estado só lhe restasse salvar a GM. A bem da riqueza nacional, do emprego e da estabilidade económica. A grande questão é que estas iniciativas correctoras não mudam nada! São apenas o triunfo da Neoliberalismo. Um modelo que brilha nos seus expoentes, e associa-se ao Estado nas suas calamidades. Os contribuintes são fiadores, casaram-se com o risco, mas não com o lucro. No fundo, o que me choca, é que enquanto a via simbiótica entre Estado e privados, tão subjacente à doutrina Social-Democrata é esquecida, a doutrina parasitária do Neoliberalismo é seguida. As grandes cabeças desses magnânimos ântrios de decisão política, procuram salvar o modelo que nos trouxe aqui, nunca corrigi-lo, moderá-lo ou transformá-lo. Nesse salvamento endividam-se: não há país que não tenha visto a sua dívida pública ultrapassar o vermelho, com prejuízo de todas as políticas sociais que se poderiam obter. Mais pernicioso ainda é se observarmos o carácter cíclico das crises, até porque numa futura grande depressão, nada nos garante que os Estados estejam capazes de voltar a expandir a dívida pública. Se não o puderem fazer, será o colapso do aparelho produtivo, pois nesse momento não haverá possibilidade nem de salvamento, nem de tomar um outro caminho. A fome e a miséria irão graçar por toda a sociedade.

Na crisa bancária Sueca dos anos 90, o Estado actuou desse tal modo que preconizo. Deu um ano aos bancos em insolvência para, por meios privados, corrigirem os seus rácios de solvência. Caso estes não fossem corrigidos, o Estado nacionalizava. Apenas um banco foi nacionalizado, pois todos os outros, ajustando-se e passando a ter uma postura mais cautelosa, e porque não dizer mais responsável, sobreviveram através do manancial privado. Hoje em dia, o sistema bancário Sueco vive com uma serenidade invejável, fruto dessa reestruturação de Centro Esquerda.

Por tudo isto, a falência da GM não é o fim da GM. É só o fim da janela de oportunidade que separava a nova via, da via actual.

Pensar Europa

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Na senda do que já aqui tenho feito, segue mais um minuto de pensamento europeu. Não para que se concorde ou se discorde. Só para que se pense Europa. É que vamos nela votar e este meu blog faz gala de falar dela. Por mim, ou por outros que melhor do que eu o façam.