Epá... sete...

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Eis alguns excertos da crónica do Maisfutebol, porque eu, nem digo nada!

"Comecemos pelas boas notícias. João Moutinho marcou um golaço na Allianz Arena. Agora as más notícias. Nessa altura, o Sporting já perdia por três e sofreu outros quatro até ao apito final. Contas feitas, a eliminatória mudou aos cinco e acabou aos doze..."

"Anderson Polga e Rui Patrício nem deviam ter saído de casa."

"No 2-0, o guarda-redes saiu da baliza, marcou posição mas falhou o desvio, devido a um toque de cabeça do brasileiro. Podolski aproveitou e bisou. Pouco depois, eliminando intermediários, Anderson Polga tentou aliviar na sequência de um canto e balançou as próprias redes."

Tenham dó...

Chá de Angola

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O presidente Angolano está em Portugal e por cá irá ficar até amanhã. A visita é de negócios e estão todos os mais altos representantes de ambos os Estados envolvidos. Juntam a estes o Presidente da Sonangol, Manuel Vicente. Só duas coisas interessam referir à cerca desta reunião: a questão económica e moral.

Economicamente, eminentes economistas referem que as oportunidades bilaterais são óptimas para ambos os lados. Portugal vende o seu “Know-How” e o seu prestígio empresarial assente no facto de ser “Europeu e moderno”. Angola tem o dinheiro que Portugal, e em bom rigor, a generalidade dos estados desenvolvidos não tem. Deste argumento degeneram vários que defendem que Portugal tem possibilidades de emprego, lucro e presença estrutural num país de futuro exponencial. Degeneram também argumentos como o imprescindível contributo Português para a reconstrução de um futuro monstro, ou seja, que a plataforma de entendimento ajuda, sobretudo, Angola. O futurismo tem duas coisas: a primeira é que não é ciência, a segunda é que é uma coisa lixada. Centro-me na minha definição de capitalismo. Sistema eminentemente económico baseado no livre mercado e na definição de toda a forma de propriedade privada. Capitalismo porquê? O capital é o recurso produtivo eminentemente mais proveitoso, ganhando vantagem sobre Terra ou Trabalho. Tudo isto tem um vínculo positivo apenas. Legitimamente extrapolo para o carácter normativo. Aí observo que a Galp, com 33% nas mãos da UNI (Petrolífera italiana) e outros 33% na Amorim Energia que é controlada pela Sonangol já só é uma Petrolífera Portuguesa no papel. No BCP a Sonangol é o maior accionista de referência (10% e vontade para reforçar). Em Angola, Portugal tem bancos nos quais foi coagido para vender importantes fatias de capital, em condições muitas vezes danosas. Podem-me dizer que o mercado está definitivamente aberto e que Portugal tem de aproveitar a oportunidade. Podem-me dizer que não há diferença entre capital Angolano ou outro capital estrangeiro. Há inúmeras verdades em que consinto, mas não menos os inúmeros perigos em que podemos incorrer. Não vejo a questão económica com ressentimento colonial, mas vejo-a com algum receio, o que em bom português, geralmente guarda a vinha (leia-se os interesses do meu país).

Sem querer enveredar pele posição do “Velho do Restelo”, passo à questão moral. O BE recusou receber o Presidente da Republica Angolano no Parlamento. Fez bem. Primeiro porque Angola é assombrosamente corrupta e a culpa é dos seus governantes em grande medida. Em segundo porque negócios não se tratam no Parlamento. Para que não me acusem de irrealismo, eu próprio proponho uma saída honrosa por parte do governo para contornar a situação. Receber a comitiva angolana noutro sítio, com toda a pompa e sem a circunstância. Porque afinal de contas, é da pompa que vivem os Homens de Estado do nosso tempo, e é da circunstância, e do seu juízo, que vive a ética e a moral. A circunstância Angolana não se compadece com recepções em Parlamentos Democráticos e casas de Democracia.

Vale a pena ainda referir mais uma coisa. Se as ligações entre o Estado Angolano e a Sonangol não são transparentes, como quase todo o restante meandro político Angolano, então o dinheiro da Sonangol serve para a compra de uma moralidade que não tem nem se compra com petróleo.

Que é feito de ti Gil?

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Na passada do comboio vi o Gil nas arrecadações da Expo 98. Alguns homens com uma braçada de tábuas carunchosas viravam costas ao símbolo. Era em toda a sua acepção perfeito! Desde o design simpático aos braços abertos que voavam em tempos de ilusão. Desde a cor, decerto a que era do céu e do Tejo de então, à franja ondulante que se chegava ao mar.

Desde aí, o Gil tem 11 anos e poucas histórias que contar. Já nem se chama, nem se vê, nem se cheira o mesmo dali. Por isso Gil saiu, foi para uma arrecadação destapada, porque ele só sabe ser o símbolo de 98. Quem não ousava enfrentar o vento e o frio em 98? Gil tem agora no olhar descolorado do sol um medo, uma fuga no aspecto. Talvez Gil tenha ido para ali porque não suportava ser outra coisa que não a Expo 98. Uma coisa é certa, tenho a certeza que ele foi pelo seu próprio pé.

Não pensem que o tempo não passou pelo Gil. Passou pois. Gil está queimado do sol, estalado do calor, com verdete do orvalho e da maresia do Tejo. Caíram-lhe os braços com que abraçava o Portugal que se expunha ao mundo. Na franja, um buraco, como que a calvície de um boneco. Só, desempregado, e com a dignidade que se lhe conhece, julgo que espera a caridade de quem o desmantele de uma só vez.

O que pode ser a “Campanha Negra”?

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Quando alguns põem a questão em “O que é a Campanha Negra?” e outros fazem julgamentos irresponsáveis donde eu não descortino fundamento, eu coloco a questão num panorama intermédio. O que pode ser a “Campanha Negra”? Antes de mais gostaria de declarar que não tenho qualquer informação privilegiada, pelo que, sigo as mais elementares regras do Estado de Direito: não considero José Sócrates culpado até transitado em julgado no Caso Freeport (caso onde nem sequer é arguido), nem declaro peremptoriamente que a TVI e o jornal Público (tal como disse Arons de Carvalho) praticam um jornalismo que se possa intitular de "Campanha Negra". Os mais ingénuos estarão porventura a perguntarem-se o porquê de discutir Freeport nesta publicação. A razão é simples, ou tudo isto é verdade e todos têm de ser investigados levando os culpados à condenação, ou muito jornalista deveria pensar o amor que têm à sua filiação profissional, sob pena de lhe ser justíssimo usurpar o direito de trabalhar na área. Apesar disto, temo que nada seja feito em nenhum dos dois lados da barricada.

Entrando de facto na questão, gostaria de tecer algumas considerações acerca do “Jornal de Sexta” da TVI. A discussão central parece-me que seja o conceito de jornalismo (ao qual o Código Deontológico dará uma tremenda ajuda), o conceito de dignidade no seu sentido mais lato e o valor da verdade no âmbito civil. Estes três pilares, a meu ver, constituem o suficiente para termos um bom acto jornalístico. Ao ver um “Jornal de Sexta” da TVI, munido de um Código Deontológico, a forma como as notícias são apresentadas parecem-me violar o artigo primeiro em toda a sua extensão, violar o segundo na medida do sensacionalismo, violar o quarto ao divulgar fugas ao segredo de justiça e ao violar o sétimo quando ainda que de forma subliminar, se dá um "tratamento de culpado" a arguidos ou até mesmo suspeitos. Esta interpretação, ainda que discutível, é de difícil refutação especialmente nos primeiros dois artigos. Em segundo lugar analisemos a dignidade dos actos jornalísticos do referido noticiário. Este ponto é importante porque considero que todo o acto nobre, e o jornalismo é um desses exemplos, implica ser praticado com dignidade. Reforço esta posição com a observação de que sendo o jornalismo um acto eminentemente público, ele tem uma componente moralizadora, e como tal, implica a obrigatoriedade do “Bom Exemplo” onde a Dignidade tem de caber. Existe uma cada vez menos indelével e cada vez mais assumida tendência para os actos persecutórios em Portugal. E se quando as imoralidades são feitas às claras têm a vantagem de ser identificáveis, ao mesmo tempo mostram uma perturbante realidade: a imoralidade já não choca. Culpados? Os praticantes de actos imorais e os praticantes do jornalismo imoral. O último ponto refere-se ao valor da Verdade na sociedade. Este valor é claramente sensível ao comportamento da comunicação social, uma vez que ela desempenha um papel de relevo na difusão da informação verdadeira e isenta. Na apreciação deste último ponto, deixo ao critério do leitor as considerações.

Tal como escrevi noutras paragens a “Campanha negra" é a acusação real ou ficcional de um acto infame praticado por um ou mais jornalistas. Infame porque, a ser verdade, viola o código deontológico que orienta o profissional, e infame porque, a ser verdade, se trata de um ataque pessoal danoso que só por si constitui crime. Mais acrescento que sendo a suposta vítima representante de cargo público, atenta-se contra o bom nome das instituições públicas. Não vos vou dar a minha convicção. Todos nós temos as nossas convicções à cerca do caso Freeport e da “Campanha Negra” que é uma espécie de cabala ou verdade contra posta à primeira, mas o impacto das mesmas começa a ser tão facilmente convertível em “lei de praça” que começa a ser um acto de irresponsabilidade divulgar o que pensamos a este respeito. Isto é tremendo em Democracia! É-o porque mostra a fragilidade da formação cívica do povo que facilmente se deixa conduzir por estas historietas e é-o porque essa mesma fragilidade é o cerne da opressão! Aos que me acharem desmesurado observem que o mais apto para a função pública é, entre outras coisas, o homem consciencioso. Ora, esse mesmo homem, perante o clima presente, vai-se negar a omitir uma opinião que numa sociedade civilizada seria apenas uma opinião mas que aqui, no burgo tacanho e ignorante, é a tão temível “lei de praça” com que iniciei este parágrafo.

Saúdo a boa Comunicação Social, saúdo-a tanto que mesmo não concordando em absoluto, admiro a frase de Thomas Jefferson: “Se pudesse decidir se devemos ter um governo sem jornais ou jornais sem governo, não vacilaria um instante em preferir o último”. Contudo, por perceber o incomensurável contributo dos media para a construção de sociedades Democráticas, penso que devemos ter atenção aos efeitos perversos de uns maus media, como as de um qualquer político corrupto.

Um Congresso rosa aos apagões

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Parto para este curto comentário com a sensação com que todos saíram de Espinho, ainda que não estando por lá: entre o pouco e o mais do mesmo. O pouco porque do muito que se falou, nós povo anónimo, cremos em muito pouco. O mais do mesmo porque não se esperava outra coisa. Em ambos os casos a culpa não é exclusiva do PS, mas é também em certa medida do PS. É muito difícil converter o descrédito, mas a apoteose de um com Congresso é um bom lugar para tentar.

Sem nada de partidário verdadeiramente a debater, Sócrates tinha de se lançar politicamente. Abriu mal, fechou bem e pelo meio ainda lançou um Freelancer. Não deu grandes ideias e nem foi o protagonista a defender a sua Moção. Valeu-lhe António Costa que mascarou os momentos menos bons com tiradas para os media repetir, sobretudo na crítica à esquerda. No discurso de encerramento Sócrates atacou com nível o PSD e o discurso pareceu mais sincero com o problema no teleponto. Curiosidades…

Manuel Alegre marcou pela ausência, qual jovem rebelde! Contudo a sua posição foi recta, e a única digna do seu comportamento, passado e presente. Ainda vai sendo um estandarte de uma posição. Quer se goste quer não, falta a muitos a “espinha” deste histórico socialista.

Por último Vital Moreira, uma meia surpresa para os mais atentos. A proximidade era séria de há uns tempos para cá, eis uma excelente razão para ela. Ideias europeias é coisa de que não se falou, daí ser um ilustre desconhecido para as eleições europeias. Espero que deixe o seu intelecto para as propostas e não para as auto proclamações narcisistas com que se deixou enlear numa entrevista à saída da Nave de Espinho.

Deixo como nota final o apontamento que é mais importante: por regra não se tiram grandes conclusões destes ajuntamentos. Ideias é sempre coisa para analisar no detalhe e não nas festanças partidárias.

Conto para adultos: As concessões no nosso País

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Há histórias que se devem contar a qualquer filho, mas algumas delas só se devem contar quando ele já for adulto. Hoje trago-vos uma dessas histórias arrepiantes. Os mais sensíveis podem continuar a ler, excepto se forem ética e moralmente sensíveis. Ainda assim recomendo a todos, já que é uma simples preparação que cada cidadão deve fazer para não ser vilipendiado. Hoje trago-vos a história das concessões Lusoponte. Como tantas outras histórias de obras públicas tem um paradoxo face às histórias que se contam às criancinhas: não têm moral nenhuma!

Se alguma vez já se perguntou sobre o monopólio que a Lusoponte detém nas concessões sobre o Tejo a jusante de Vila Franca de Xira a resposta é um contrato de concessão estabelecido com o Estado. Se nunca se perguntou, o que é perfeitamente normal, brevemente lhe chegará o interesse, uma vez que a terceira ponte sobre o Tejo poderá levar o assunto à baila.

Muito se poderia falar das razões da exclusividade, pouco é adiantado nas fontes do Diário Económico, jornal onde eu descobri este “conto de encantar”. O que é adiantado é que o Ministro das Obras Públicas à data era Ferreira do Amaral. Entretanto, na alternância democrática a regra essencial é saber “rodar”, não espantando por isso que Ferreira do Amaral seja agora o Presidente do Conselho de Administração da Lusoponte.

Tudo isto seria agora um grande entrave à terceira ponte sobre o Tejo, não fosse mais uma vez a alternância democrática dar uma ajuda. É que em 2000, e segundo o mesmo jornal, o contrato foi revisto, ainda que mantendo a exclusividade, pelo ministro competente à data. E adivinhem agora quem? Esta é substancialmente mais fácil, o Ministro Jorge Coelho, agora na Mota-Engil como é do conhecimento comum.

Fim de história. Fim de história não! - Vociferaram os leitores deste conto! Têm razão, também estou ansioso por saber se a Mota-Engil ganhará a concessão da terceira ponte sobre o Tejo, numa reedição do “dividir para poder reinar”, ou se o estranho monopólio da Lusoponte se mantém.

Uma nova cara para um novo ano

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Agora que está lançado o terceiro ano de Blog, eis o terceiro template deste Folhas ao Horizonte. Para além disto, haverá ligeiras alterações à forma de organizar este espaço, com particular destaque para os três Tomos agora criados.

Espero que as alterações sejam do vosso agrado.

Fiquem bem