O horizonte da alma IV

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E tudo porque me sinto lançado ao precalço.


A Humanidade de uma bicicleta inútil

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Para que me vens chamar ao reboliço?
Para que me queres desfilando no passadiço?

Não vês que não tenho habilitação para a tua precisão?
Deixa-me encostado a quem velho na esperança esteja,
E já não espere de ti nem de ninguém,
Que é a condição essencial para se saber esperar…

Que sabes tu da minha juventude e da minha história?
Nunca fui de corrida,
Nunca me lancei em alinhos ordinais.
Vens me convidar para a meta?
Tenho todo o direito a não querer vencer.
Não vou.

Deixa-me ao canto,
Se tiver a subsistência e a poesia,
Deixa-me ao canto.



Pedro Carvalho

É dificil

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Hoje acordei e senti-me sozinho
Um barco sem vela
Um corpo sem linho.
Amanheci e vesti-me de preto,
Um gesto cansado
O olhar no deserto.

Quando todos vão dormir
É mais fácil desistir.
Quando a noite esta a chegar
É difícil não chorar.

Eu não quero sera luz que já não sou,
Não quero ser primeiro
Sou o tempo que acabou.
Eu não quero ser
As lágrimas que vês,
Não quero ser primeiro
Sou um barco nas marés.



Adormeci
Sem te ter a meu lado,
Um corpo sem alma
Guitarra sem fado.
Um sonho na noite
E olhei-me ao espelho,
Umas mãos de criança
Num rosto de velho.

Quando todos vão dormir
É mais fácil desistir,
Quando a noite esta a chegar
É difícil não chorar.


Pedro Abrunhosa

Metáforas de luz. E porque não?

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E ás vezes, dou por mim neste infortúnio,
De ter na busca a certeza mais leve das coisas,
E nos achados que busco,
Verdades de desconsolo irrefutável.

Apetece-me não ter encontros.
Não quero conhecer mais de mim mesmo.
Deixem-me dormir de pensamento fechado.
Não me quero desvendar,
Talvez seja eu, tão só o meu arrependimento.


Pedro Carvalho

O horizonte da alma III

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Um estado de espírito como de quem chega de onde quase não parti. Não espero grande recepção, que a imponência alheia já não me esconde nada.

Tirei umas férias, bem que me fizeram

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Tirei umas férias que me souberam bem. O tempo não era propício (o que se veio a tornar uma agradável surpresa), o espaço era o melhor. Puxou-me a preguiça, e nem pude vacilar porque era tanta a vontade de lhe mergulhar, que nem fiz “finca pé” com ela. Recordo-me de um verso de Zeca Afonso que alegremente nos canta ao ouvido e aconselha “A fadiga é um dom da Natureza” e se não fosse, que era feito do ócio que tanto apreciei?

Na verdade, foi de uma utilidade extrema o “exílio no burgo”. Não respirei ar puro nem bom ar, mas respirei melhor ar. Sinto essa pura leveza na minha disposição. Li um bom livro, prometo escrever algo sobre ele em breve. Estive com quem queria estar e à muito não via. Diverti-me porque me sabem divertir, muitas vezes com aquele tipo de coisas que são aborrecidas para tanta gente e tanto me divertem. “Nadar contra a maré” não é coisa valorizada, e sendo teimosia infértil nem é acto de valor, mas acredito firmemente na valia de quem tem a consciência que não temos de ser da maré que vai alta, mas sim da maré que nos enche e consola, fazendo-nos sentir frutuosos. Tomo essa atitude diante de mim próprio, para assim tomar uma escolha, sem constrangimento, nem presunção.

Tenho mais a crescer que a ensinar. Crescendo posso ser útil aos outros, enchendo a minha maré, que não é feita da maré de ninguém, mas da minha entrega a valores que me fazem ser de amparáveis alicerces. Sinto-me bem na minha terra, porque muito me ensina a vivência naqueles caminhos tão próprios. Sinto-me bem naquele canto, porque este me amansa o espírito, encaminhando e fazendo soar bem dentro de mim, o que realmente leio do mundo, que me perfaz e sustenta.

Mais um semestre que se abre

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Novo semestre, os caminhos ja se fazem díspares, contudo, caminhando.